Carta de uma mãe que perdeu o filho policial

sábado, 9 de agosto de 2008

O soldado Paes morreu quando, cumprindo seu dever profissional, tentou evitar um assalto a uma padaria em Sobradinho, deixando a esposa e um bebê, de apenas um mês de idade. Era um policial dedicado, exemplar e que amava a corporação. Uma semana antes de morrer, foi homenageado por participar do quadro de ocorrências de destaque. Esta é a carta que a mãe dele escreveu para o Comandante Geral da PMDF:

Senhor Comandante,

Sou alguém que certamente não fará parte de seu convívio, pois o liame que nos conectava foi partido de maneira abrupta. Mas a vida é feita de pequenos momentos e pequenos gestos, e mesmo atravessando o mais triste tempo do meu viver, não poderia deixar passar despercebido o seu gesto, que a princípio pode parecer pequeno, mas que para nós da família que estamos vivendo um pesadelo, é muito significativo.

É importante saber que meu filho não foi só um número e um nome de guerra, e que numa instituição hierarquicamente tão severa existe espaço para sentimentos humanitários e fraternais. Que o respeito ao ser humano vem antes das convenções. Perdi, perdi muito, como mulher, como mãe, fiquei mais triste, perdi um filho, vocês também, perderam, perderam um soldado, um guerreiro, que amava esta instituição com todas as fibras de seu ser, pois ser policial não foi um emprego, não foi falta de opções, porque ofereci ao meu filho muitas. Sua meta de vida estava traçada e nada nem ninguém poderia dissuadi-lo.

É gratificante saber que onde ele estiver continuará se sentido orgulhoso de ter feito parte desta corporação. Como ele, ela é feita de homens que respeitam os direitos alheios e mais que isto, são humanos, pois a dureza do dia a dia não corroeu o sentimento de solidariedade e fraternidade que habita em todos vocês.

Simbolicamente ele foi seu filho, porque além de nós, seus pais, nesta vida, ele se submeteu com prazer e devoção apenas a vocês. Meu filho foi muito bem criado, muito bem amado e sempre o ensinei a andar de cabeça erguida, a não se curvar diante de nin­guém e que um homem só pode conquistar isto, se for honesto e justo. Estes meus ensinamentos se agigantavam quando ele vestia a farda e saía nas ruas representando esta instituição, porque se so­mava a ele o fato de não se curvar diante de indignidade, da iniqüidade, da injustiça, da babárie. Tenho consciência que eles não mataram o meu filho por ser meu filho, não se mata a quem não tem desafeto e que não dê motivos para tal. Eles mataram aquele que se pronunciou e reagiu, independente das circunstânci­as, ele poderia ter se omitido, mas jamais o faria, neste momento ele foi mais seu que meu.

Eles não mataram meu filho que era policial, eles mataram o policial que era meu filho. Perdi eu, perderam vocês, perdeu o mundo, pois além de tudo que já externei, ele era todo alegria, vivia sorrindo e espalhando amor e simpatia.

Em suma, não poderia deixar de agradecer e render minhas homenagens ao apoio, ao carinho, ao respeito que tiveram e estão tendo pelo meu filho, pelo seu filhinho, sua esposa, pela nossa família, isto não o traz de volta, mas gratifica, conforta e reforça que apesar do que aconteceu ele fez sua escolha de maneira correta, pois fazia parte de um escol de homens de bem.

Talvez este seja o nosso primeiro e último contato, mas ao Senhor e a todos, todos indiscriminadamente, que fazem parte da família do 14º BPM, nosso respeito e nossa gratidão, em meu nome e de toda a minha família.

Milbene da Cunha Paes - mãe de policial militar



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3 comentário(s):

Anônimo disse...

A Policia Militar para mim, sempre foi um escudo de fé...
deixo aqui minha oração...

Senhor Deus, pai amado... não deixe que uma pedra me derrube no caminho, que nenhuma correnteza me afogue, que nunhum mau me atinja...
Senhor, que eu tenha sonhos, força para lutar, fé e acima de tudo, dignidade...
Senhor como tú sabes, essa é a vida que eu escolhi.. a vida que eu quero... a vida que eu pedi... é meu destino... meu caminho, meu viver!
Senhor Deus, me ajude a conseguir realizar meu sonho, o sonho de ser uma Policial Militar...
Senhor, que eu ande pelo vale da morte, sem que eu seje molestada, mais se for senhor, não me deixe cair em desespero...
Se eu tombar, óh senhor, que seje rapido...
Seu eu morrer: vingame
se eu recuar: mate-me...
Senhor Deus... abençoe minha família, e a família de todos os policiais...
amém...

**Logo logo, estarei fazendo parte da PM...
acabei de completar 18 anos, ainda sou muito nova... mais ja sei bem lutar com dignidade...
e depois que eu conseguir... estarei passando por aki novamente, dexando meus agradecimentos...

Annelise - Jardim, Mato Grosso do Sul

Anônimo disse...

Sou mãe do Policial Militar Souza, que aos 28 anos de idade, no dia 18/07/2009, tambem perdeu a vida em uma ocarrencia, deixando dois filhos esposa e um coração de mãe, que a principio não entendeu nada, pois até este dia meu coração amava com harmonia, agora continuo amando mas ainda num grande desconpaço.

BACANA disse...

Os integrantes das instituições militares são as únicas pessoas de quem a lei exige o sacrifício da vida. De fato, a nenhum funcionário público, na verdade a nenhum cidadão, exceto aos militares, lei alguma impõe deveres tão radicais, que podem implicar a obrigação de morrer e até de matar, e precisou morrer para que fosse feito um um tributo justo e sério à atividade policial feito por Pedro Bial, no Fantástico. Esses somos nós, quer gostem ou não, os Militares!

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