Histórias policiais

Esta é minha seção predileta. Eu sou um apaixonado por literatura e, para mim, as parábolas/histórias facilitam a compreensão dos fatos e da realidade; mostram os bastidores e todas as circunstâncias e detalhes que poderiam passar despercebidos num texto dissertativo. Há mais de dois mil anos, foi utilizando-se de parábolas que Jesus ensinou e abriu os olhos do povo.
Temporal anunciado no serviço de meteorologia. Mais uma noite chuvosa e sonolenta de serviço. Talvez um acidente para atender e mais nada. Era sempre assim. Estávamos um pouco desanimados. Gostávamos de noites agitadas, de correria, de perseguição à vagabundos, de prisões. Gostávamos de ser polícia, eu e meu parceiro. >> cotinue lendo
Veja que há algo em comum nesses tristes exemplos. Todos tratam de conflitos familiares, que têm como pano de fundo o abuso de álcool e drogas. Fica evidente ainda que as nossas difíceis e dispendiosas providências policiais foram inócuas. Isso nos leva à conclusão que as lides surgidas dentro dos lares brasileiros constitui a força motriz da maioria dos problemas que afetam a sociedade. Não há escola, organismo policial ou qualquer instituição pública que consiga reverter completamente os danos físicos ou morais oriundos da desagregação familiar. >> continue lendo
No permanente combate a criminalidade, o soldado Mik sempre cruzava o caminho dessa “família metralha”, deixando um ou outro tombado ou preso. O pequeno Pixote ainda não demonstrava maldade em seu olhar de criança, sempre sorridente, como se não tivesse noção do perigo. >> continue lendo
Eu era o patrulheiro de uma guarnição tática. Nossa barca patrulhava a Favela Pedreira em Matozinhos. A viatura deslocava bem devagar, espremida numa viela; os retrovisores quase tocavam nos barracos. >> continue lendo
Bastou que eu ouvisse essa frase apenas uma vez para que tais palavras encontrassem lugar cativo em minha memória. A assertiva foi declarada por um major da Polícia Militar de Minas Gerais, durante a cerimônia de encerramento de um curso de ações táticas que tive o privilégio de participar. >> continue lendo
Éramos muitos neófitos, reunidos em um lugar amplo, bonito e confortável. Alguns de nós já tinham servido em forças de segurança, mas confesso que, para mim, era uma experiência completamente nova a Polícia Militar, uma decisão arriscada que tomei, contrariando expectativas e sonhos familiares, arriscando também tempo e dinheiro em um processo seletivo que sequer imaginava estar ingressando um ano e meio antes. >> continue lendo
O motorista da equipe, Soldado Marcel, menciona: “Vamos abordar?”. Nosso patrulheiro, Cabo Araújo, acrescenta: “Só pra não perder o costume, nesta hora, andando na favela, tem mais é que tomar geral”. >> continue lendo
Fizemos o adentramento tático. Nos fundos da casa, encontramos uma senhora, um rapaz e uma criança. O rapaz era nosso principal suspeito. Um dos integrantes da equipe me diz: "é pila". >> continue lendo
O trabalho de um policial é extremamente difícil. Implica executar suas atividades sob intensa pressão, expor a risco a própria vida e tomar decisões que podem influenciar profundamente a vida das pessoas. >> continue lendo
Eram 23 horas e 15 minutos da noite de sábado, 06 de maio de 2006. Patrulhávamos pelo bairro Nova Pampulha; na época, o mais perigoso da área de atuação do GIEAR (Grupo de Intervenção Estratégica em Área de Risco). Naquele lugar, naquele dia da semana e naquele horário estávamos mentalmente preparados para o pior – troca de tiros, homicídios, traficantes em fuga rumo aos becos estratégicos que ali existem, crianças e adolescentes usando entorpecentes etc. >> continue lendo
Ainda não entendo porque travávamos uma guerra particular contra os traficantes. Era algo obsessivo. Talvez porque não tínhamos sangue de barata, não sei. >> continue lendo
Trabalho ininterruptamente, vorazmente. Quando chego a minha casa, já estou esgotado; e enojado de olhar para uma tela de computador. >> continue lendo
Diz uma máxima que, "num Estado Democrático de Direito, o que impera é a vontade impessoal da Lei, não a vontade individual da autoridade julgadora." Trazendo essa máxima para o princípio da motivação, temos que os mandamentos da Lei estão acima da vontade individual do diretor. >> continue lendo
No maior ponto de tráfico de drogas da cidade, todos estavam sob nosso jugo, todos com as mãos na cabeça, encostados na parede, quietos. Estávamos em inferioridade numérica, mas o apoio já vinha, e vinha voando baixo. >> continue lendo
Mais de três horas de rastreamento. Subimos e descemos becos de favela, perseguimos motocicleta, muitas abordagens. O turno foi agitado, pois um dos líderes da quadrilha que dominava o tráfico de drogas no Morro do Kid fora morto. O restante da quadrilha jurava vingança. >> continue lendo
Lá estava o rapaz na minha frente, a uns dez metros de distância. Devia ter uns 18 anos o infeliz. Minha ponto quarenta estava apontada para seu tórax. O desgraçado não obedeceu a ordem de colocar as mãos na cabeça. Como um filme que se passa em câmera lenta, fui vendo-o colocar a mão para trás da cintura, como se fosse retirar algo de lá. >> continue lendo

Deus no céu e a polícia na terra. É assim que muitos pensam. Chamam a polícia para tudo. O que dois policiais podiam fazer num hospital para atender uma solicitação dando conta que uma mulher chegara dizendo que ouvia vozes e que precisava de ajuda? Nada. Policiais não são psiquiatras. >> continue lendo
Final de um cansativo turno de serviço. Sargento Mike estava saindo do Departamento de Polícia, momento em que um indivíduo, nervoso e agitado, irrompe quartel adentro e lhe diz, quase gritando. >> continue lendo
Era noite de véspera de natal, 24 para 25 de dezembro. Mais um turno de serviço me esperava. Não adiantava ficar lamuriando; estava escalado e ponto final. >> continue lendo
Naquela época, o poder do tráfico estava se manifestando sob a suspeita de que membros da quadrilha que dominavam o tráfico de drogas no Morro do Kid possuíam uma submetralhadora, vulgarmente chamada de macaquinha. Tal armamento deveria ser retirado de circulação. >> continue lendo
Tenho uma pistola .40 na mão e uma chance apenas. A cabeça dele está na mira. E já não está mais. Não sou atirador de elite, nunca fui de grupo especial, minha farda é comum e puída. Não tive treinamento de porra nenhuma para passar por uma dessas. Meu negócio era patrulhar trânsito, multar menino sem carteira, velho sem cinto, mulher distraída que esqueceu os documentos. >> continue lendo
Sob o crepúsculo do limiar da noite, doze policiais do grupamento tático rastejavam por um terreno baldio, visando se aproximar furtivamente de um barraco. Há muito, os intrépidos agentes da lei tencionavam mandar aqueles narcotraficantes para trás das grades. >> continue lendo
Eram 22 horas. A rapinha composta pelo Sargento Mike e pelo Soldado Brucis realizavam policiamento “reloginho” pela cidade de Samsung. Embora fosse dia de semana, a rede de rádio não calava um segundo. De repente, as tumultuadas comunicações, fruto da grande demanda operacional, foram interrompidas por uma voz ofegante:
- Central, é a viatura 77777, prioridade. Prioridade, central! >> continue lendo
Os militares haviam agido com inteligência. Desmantelaram a quadrilha que dominava o comércio ilegal de entorpecentes da Rua San Sebastian e que impunha terror aos moradores. Cumprindo um mandado de busca e apreensão, os milicianos mandaram para trás das grades o traficante-mor e seus asseclas. >> continue lendo
O Cabo Spencer e o Soldado Tandberg realizavam radiopatrulhamento rotineiro por um bairro periférico da cidade de Iômega. Quebrando a tranqüilidade, a central de comunicações pediu atenção na rede de rádio. >> continue lendo
Por muito tempo, os policiais de área se lançaram numa luta tenaz contra o tráfico de drogas da Rua San Sebastian. Sabiam quem eram o dono da boca-de-fumo e comparsas, mas estes, por meio de uma série de estratagemas, sempre logravam escapar das incessantes abordagens. >> continue lendo
Durante radiopatrulhamento rotineiro pelo centro da cidade, o Sargento Mike, simultaneamente ao olhar expectante e ao estado de atenção, pensava em toda sua vida na Military Police. Pensava nos momentos de alegria, nas amizades, na união da tropa, nas dificuldades pelas quais passou >> continue lendo
Destemidos integrantes da Military Police encontravam-se na entrada de um Pronto Socorro conduzindo um indivíduo por ter ele violentado a própria filha. Enquanto os policiais esperavam a menina ser examinada pelo médico >> continue lendo
- Alvo na mira, coronel - avisou o atirador de elite.
- Aguarde confirmação da equipe tática. Equipe Alfa, está pronta para invasão?
- Positivo, comandante.
- Então se prepare. O alvo já está na mira e será neutralizado. Atirador, faça o disparo. >> continue lendo
O caminho do crime tem apenas dois destinos: cadeia ou vala. E isso não é novidade para ninguém. Então, só entra nessa quem quer.
Osborne já estava nessa há muito tempo. Para ele, não havia mais caminho de volta. Preso ele já havia sido, e diversas vezes, não tomou outro rumo... Logo, restava-lhe apenas um destino. >> continue lendo
O faturamento daquela noite fora baixo para os narcotraficantes da Favela do Kid. A equipe do Sargento Mike não deu trégua para eles durante o período de repouso das pessoas ordeiras. Mas o tráfico odeia ser incomodado; tinha que dar uma resposta, algo que intimidasse a Military Police e demonstrasse seu poder perante a comunidade onde impunha o domínio e o terror. >> continue lendo
Aula de tiro policial. Um tenente, excelente professor, contava para a turma do treinamento bienal:
- Aconteceu há alguns anos, lá na Pedreira. Eu era sargento na época. Ficamos cercados por todos os lados. Foram trinta minutos de troca de tiros. >> continue lendo
O Sergeant Mike estava em casa, tentando curtir o dia de folga. Procurava esquecer do serviço. De repente, o interfone tocou. Sua esposa atendeu.
- Oi.
- É o Soldier Bumark quem tá falando. É da casa do Sergeant Mike? >> continue lendo
- Que você tá fazendo aqui uma hora dessas, 04 horas da madrugada!? - perguntou o Sargento Mike.
- Eu vim comprar um cigarro - respondeu o vapor.
- Oh, vai falar mentira lá na @#$%¨&**&¨%$#@! Você tá aqui desde ontem à noite. >> continue lendo
Era madrugada. O Cabo Spencer já havia batido volante a noite toda. Para descansá-lo um pouco, o Sargento Mike assumiu a pilotagem da viatura. Assim que sentou no banco do piloto, ouviu-se na rede de rádio a informação de que um automóvel Land Rover amarelo fora tomado de assalto na cidade vizinha de Arizona e estaria evadindo em direção da Rodovia GM-010, sentido cidade de Alabama. >> continue lendo
O motor ruge e a viatura sai me permitindo sentir, mais uma vez, os efeitos da inércia. Sinto-os de forma praticamente imperceptível, pois o costume me deixa quase alheio a eles. Saímos do quartel e um novo mundo, uma nova realidade se descortina à nossa volta. >> continue lendo
Muitas pessoas entram na polícia apenas pelo salário ou pela pseudo-estabilidade. Outras, além desses motivos, também querem fazer algo a mais. Cada um tem o seu objetivo, um desejo a realizar. >> continue lendo
A atividade policial é verdadeiramente um sacerdócio. Quem já vestiu uma farda e colocou uma arma na cintura jamais conseguirá esquecer do tempo em que combateu o crime. Quem está na ativa não consegue desligar da profissão nem nas horas de folga. É impossível ser apenas um civil, um paisano folgado. >> continue lendo
O que esse safado tá fazendo aqui?, pensou o Sargento Moisés assim que entrou na igreja e viu o Carioca, traficante de drogas da Favela do Caldeirão. O sargento não estava acreditando naquele paradoxo. O safado acendia uma vela pra Deus e outra pro diabo. Errado. Há mais de dois mil anos, Jesus já dizia que não era possível servir a dois senhores. Ou se servia à Deus, ou se servia ao diabo. Quem vende ilegalmente uma substância que vicia, que arruína famílias e que mata, e mata muito, direta e indiretamente, não poderia jamais servir à Deus. >> continue lendo
Madrugada fria. Dois policiais dentro de uma viatura estacionada no passeio de uma avenida de uma grande cidade. Poucos veículos passavam em frente a eles. A rede de rádio dava notícias de crimes de toda ordem. Mas os policiais não podiam sair do lugar onde estavam. Haviam recebido ordens para fazerem ponto base naquele local. Deveriam ficar doze horas imóveis, levando segurança aos transeuntes. >> continue lendo
As duas viaturas, em deslocamento, emparelharam-se. O Sargento Moisés, comandante de uma delas, gritou para os militares da outra guarnição:
- Nós vamos chegar por um lado, e vocês, pelo outro. É pra jogar todo mundo na parede. Beleza? >> continue lendo
Talvez o Soldado Barros não fosse mais trabalhar fardado por um longo tempo. Com muita dificuldade e depois de muitos contatos telefônicos e pessoais, conseguira persuadir o chefe da S2 a lhe transferir para aquela seção. Barros era um soldado recém-formado, daqueles que ainda estava se adaptando à vida castrense. Não gostava de usar cobertura, pois estragava seu cabelo arrepiado à base de gel. >> continue lendo
Numa cidade muito distante daqui, na qual bandidos utilizavam armas de guerra e adotavam táticas de guerrilha, dois policiais mal pagos e, segundo o secretário estadual de segurança pública, despreparados e mal treinados, encontravam-se dentro de uma viatura policial. A rede de rádio estava tumultuada. Informações desencontradas eram passadas. De acordo com as primeiras informações, quatro bandidos armados de fuzis estariam fugindo em alta velocidade num veículo escuro. >> continue lendo
Hoje é sexta-feira. Amanhã, portanto, é sábado, e estou esperando um mês para folgar no sábado. Já mandei a patroa arrumar o lanche para a gente curtir uma praia. Já vejo Copa lotada, a mulherada de biquininho, eu atracado com um sanduíche de maionese com ovo…
— Porra, Amarildo! Sai de trás da porra dessa parede!
Sargento Wagner me empurrou e um ou dois tiros espatifaram os tijolos a uns 20 centímetros da minha cabeça. Eu disse dois, mas pelo estrondo em meu ouvido, deve ter sido muito mais. >> continue lendo
— Abre essa porra, maluco! Us policia tão vindo!
— Abre logo! Nós vamo morrer, maluco, Morrer!
Os gritos eram cortados por zunidos de metralhadoras que rasgavam a madrugada e acompanhados de murros na porta. Eu, sentado no boxe do banheiro com meus três filhos e minha mulher, não ousava sequer respirar. >> continue lendo

 
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