Modelo de relatório interno

sábado, 9 de agosto de 2008

Este é apenas um modelo de relatório criado pelo administrador deste blog. Nomes de pessoas e unidades são fictícios

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POLÍCIA

MILITAR

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99ª REGIÃO DA POLÍCIA MILITAR

NONAGÉSIMO NONO BATALHÃO

999ª CIA PM

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Western, 01 de janeiro de 3007

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Do: 3º Sgt PM Richard Monteiro

Ao: Sr. Cmt do 9º Pel / 999ª Cia PM

Assunto: Informações sobre criminalidade em Western

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1 - INTRODUÇÃO

Este relatório foi lavrado como forma de levar ao conhecimento de Vossa Senhoria algumas informações acerca da criminalidade na cidade de Western, cujo policiamento ostensivo é de responsabilidade desta Cia PM.

2 - NARCOTRÁFICO: A RAIZ DO PROBLEMA

Com base na observação diária das pessoas que freqüentam supostas bocas-de-fumo, percebe-se claramente que existe um grande mercado consumidor de entorpecentes na cidade de Western, isto é, uma parte considerável da população, principalmente jovens, é usuária de entorpecentes.

O tráfico de entorpecentes é uma atividade primordialmente comercial; é regido pela lei da oferta e da procura. Onde existe um grande mercado consumidor, existirá também uma grande atividade comercial. Não fugindo à regra, há vários “comércios” e “comerciantes” de entorpecentes em Western.

Tal como ocorre em qualquer outra atividade comercial, também existe concorrência entre os “comerciantes”. Para se proteger dos concorrentes, os “comerciantes” precisam se armar. E os “comerciantes” mais ambiciosos, para expandir seus empreendimentos, precisam se armar para conquistar novos pontos de venda. Além disso, o tráfico precisa de meios para cobrar a dívida de seus clientes; não dispondo de meios legais para esse fim, o recurso é usar a coação, principalmente por meio de armas de fogo; é o chamado “acerto de contas”. O reflexo direto de tudo isso são quadrilhas com poderio bélico cada vez maior, assim como o aumento do número de homicídios.

Não existe traficante desarmado; a arma é seu instrumento de trabalho. E como ele e a quadrilha precisam de armamentos, mesmo que a polícia apreenda uma arma hoje, amanhã ele já estará com outra, talvez até de mais qualidade e poder de fogo do que a que foi apreendida. Da mesma forma, um traficante preso é rapidamente substituído por outro, pois não faltam consumidores nem “comerciantes”, tampouco faltam membros do tráfico querendo ser “promovidos” ou querendo assumir as bocas-de-fumo.

Igualmente, pontos de venda situados em locais estratégicos são muito cobiçados pelos traficantes e, conseqüentemente, são causa de muitos confrontos entre quadrilhas rivais. Mesmo que toda uma quadrilha atuante num ponto de venda seja presa, outra quadrilha ocupará esse ponto de venda em razão de sua localização estratégica.

Dominar um território é essencial nessa atividade, pois significa ter um local seguro para estocar armas e entorpecentes e, ainda, ter mais pontos de venda para comercializar o produto ilícito. Um território cobiçado pelos traficantes são os aglomerados urbanos, pelos seguintes motivos:

· O relevo irregular, a disposição caótica dos imóveis e os numerosos becos e vielas facilitam a fuga dos agentes, dificultando a ação da polícia e a tomada do território por gangues rivais;

· Os marginais se misturam facilmente aos moradores locais, atrapalhando o trabalho de inteligência da polícia;

· A mão-de-obra é farta, visto que a população é mais susceptível de ser cooptada, porquanto se observa uma maior desestrutura familiar e social nesses locais.

Não é muito difícil saber quem são os traficantes de um lugar. Difícil é prendê-los em flagrante delito, com provas suficientes para a condenação. Os traficantes criaram uma série de estratagemas para se furtarem à ação policial. A famigerada “lei do silêncio” já está virando coisa do passado; é apenas um elemento da primeira fase do processo de domínio territorial.

Atualmente, o principal estratagema de traficantes que atuam em aglomerados urbanos é cooptar e ganhar a simpatia dos moradores locais, fazendo com que estes, de alguma forma, apóiem ou sejam condescendentes com a atividade ilícita. Em recente operação da PM do Texas, descobriu-se que traficantes pagavam a mulheres tidas como acima de qualquer suspeita para que elas apresentassem queixa contra policiais e depossem a favor de marginais.

O tráfico de entorpecentes também está se tornando uma espécie de alternativa de trabalho, mormente em aglomerados urbanos. Isso está ocorrendo porque os moradores estão tão habituados a presenciarem e a conviverem com essa atividade ilícita que ela está parecendo uma coisa normal, não proibida. Isso precisa ser rapidamente mudado, senão a polícia vai enfrentar ainda mais dificuldade para atuar nos aglomerados, uma vez que a própria comunidade poderá insurgir contra a imposição da lei e da ordem.

Na contramão da lógica, a legislação nacional optou por tratar o “usuário” como um doente, uma vítima. Dessa forma, a lei contraditou a própria lei. O Art. 99 do Código Penal assim dispõe: “Quem, de qualquer modo, concorre para o crime incide nas penas a este cominadas, na medida de sua culpabilidade”. Tomando por pressuposto o Código Penal, o “usuário” concorre para a prática do crime de tráfico de entorpecentes, financiando-o, não o denunciando e sendo cúmplice dos traficantes.

De acordo com estudos das Nações Unidas, o narcotráfico movimenta mais de 300 (trezentos) bilhões de dólares anualmente. Para se vencer essa grande rede criminosa/comercial, não basta apenas esforço local; o esforço tem que ser mundial.

3 - DESAGREGAÇÃO FAMILIAR E SOCIAL– FALTA DE VALORES MORAIS

Além do tráfico de entorpecentes, há outro fator que aumenta indiretamente o aumento da criminalidade: a desagregação familiar e social, aliadas a falta de valores morais.

O que se vê hoje em dia são famílias cada vez mais desestruturadas, filhos sendo criados sem limites, pais sem responsabilidade e uma generalizada falta de valores e princípios morais.

Uma criança ou um adolescente sem princípios morais, éticos e familiares é muito mais susceptível à sedução do caminho do crime; e esse caminho quase sempre só tem passagem de ida.

Até mesmo o cidadão comum está se corrompendo, talvez até sem perceber. Cita-se, por exemplo, alguns fatos que estão se tornando comuns: fazer apostas em jogo do bicho ou em máquinas caça-níqueis, dirigir veículo sem carteira de habilitação, sem usar capacete, desrespeitar funcionários públicos, etc. Esses pequenos desvios de conduta, se não coibidos, criam um ambiente de aparente desordem social. A sociedade entende que a polícia é conivente e condescendente, e os cidadãos sentem uma perigosa falta de lei e de ordem.

4 - CRIMINALIDADE EM WESTERN

4.1 - Tráfico de drogas

O Aglomerado do Panelão, sem dúvida, é o local de maior comércio de entorpecentes da cidade. Isso ocorre porque ele está situado num local estratégico, com grande movimentação de veículos. A Avenida Azeite de Oliva, que atravessa o aglomerado, liga a cidade Western à de Seagate. Dessa forma, fica difícil discernir quem está passando ali simplesmente em deslocamento de quem está passando ali para comprar entorpecentes. Além disso, os becos e vielas existentes no aglomerado facilitam a fuga dos agentes e, conseqüentemente, dificultam a ação da polícia.

Haja vista que essa atividade ilícita é antiga no aglomerado, os membros das quadrilhas já têm uma convivência pacífica com os moradores; a maioria dos membros das quadrilhas nasceu e cresceu no aglomerado. Por conseguinte, pode-se até afirmar que a comunidade é condescendente com o comércio de entorpecentes. Salienta-se, ainda, que os traficantes estão persuadindo os moradores locais a criarem entraves à ação policial, instigando-os a adotarem atitude relutante e recalcitrante no momento das abordagens e ainda estão os incitando a investirem contra os policias quando alguém é preso.

O comércio de entorpecentes nesse aglomerado é bem organizado. Existem ali vários pontos de venda, o que dificulta uma repressão uniforme. Como o efetivo policial é reduzido, apenas um ponto de venda pode ser abordado de cada vez com alguma probabilidade de sucesso, já que a presença da polícia é rapidamente divulgada.

Os principais pontos de vendas de entorpecentes no aglomerado estão situados nos seguintes locais:

· Av. Azeite de Oliva, cruzamento com Rua Café Amargo (principal ponto de venda em Western).

· Av. Azeite de Oliva, em todas as entradas de becos e vielas.

· Rua Pateta, na entrada de um beco situado próximo ao nº. 999.

· Rua Compostela, nas proximidades do cruzamento com a Rua Santiago, onde existem várias entradas de becos e vielas.

· Rua Batoleiro, cruzamento com a Rua Pateta, nas proximidades do Bar da Fumaça.

· Na entrada da Rua A (beco); também, na mesma rua, no Bar do Malucão e proximidades.

Pelas circunstâncias expostas, depreende-se que a situação do Aglomerado do Panelão quanto à criminalidade é preocupante e perigosa: muitas bocas-de-fumo; muitas pessoas envolvidas com o tráfico de entorpecentes; população condescendente; venda de entorpecentes como alternativa de obtenção de renda; tráfico bem organizado e antigo; marginais bem relacionados com a comunidade; população não-cooperativa com a polícia, ao contrário, adota conduta insubmissa e recalcitrante quando da realização de operações e abordagens.

Além do Aglomerado do Panelão, existem outras bocas-de-fumo no Bairro Rex; eis algumas:

· Rua Strathmore, nº. 999, e proximidades.

· Rua Meriva, nº. 999, e proximidades.

· Rua Iomega, no Bar da Morena e proximidades.

· Rua Pesqueiro, cruzamento com a Rua Palmitop.

A venda de entorpecentes em outros bairros aparentemente ocorre de maneira eventual, principalmente em bares mais freqüentados. Pode-se citar, por exemplo, o Bar do Caipira, o Música Bar, o Bar Copo Sujo e a Maria Lanchonete. A venda de entorpecentes nesses locais, pelo que é observado, é feita de forma velada, por clientes, e não pelos proprietários.

4.2 - Crimes contra o patrimônio

Os agentes contumazes de crimes contra o patrimônio são, salvo raríssimas exceções, usuários de drogas. A subtração de pertences é realizada para adquirir entorpecentes. Percebe-se, portanto, a estreita relação entre narcotráfico e crimes contra o patrimônio.

4.3 - Crimes contra a pessoa

Há um grande número de ocorrências contra a pessoa, notadamente ameaças, agressões e lesões corporais. As principais causas desses crimes são os conflitos conjugais e familiares, além do uso abusivo de álcool e entorpecentes.

5 – CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ante o que foi apresentado, infere-se que, se o tráfico de drogas for duramente combatido, se as quadrilhas forem desmanteladas, se prisões preventivas forem decretadas para os criminosos contumazes, os índices de criminalidade terão uma queda significativa na subárea de responsabilidade desta valorosa Cia PM, a qual é composta por homens e mulheres de fibra e de coragem.

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Richard Monteiro, 3º Sgt PM

RELATOR



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2 comentário(s):

Anônimo disse...

txiiii que seca!

Anônimo disse...

nossa muito bom " abre cabeça !!!!

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