O heroísmo do GATE no caso Eloá - Lição

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

O heroísmo do GATE no caso Eloá - Lição


Sim, os homens ponta de linha do GATE foram heróis. Por que? Porque não existe maior prova de amor do que colocar a vida em risco para salvar o próximo, e isso eles fizeram. Adentraram no apartamento sabendo que Lindemberg estava armado e foram recebidos a tiros. O jovem desequilibrado só parou de atirar quando acabou a munição do revólver. E ainda bem que ele portava um revólver... Imagine se portasse uma pistola... Frisa-se que um tiro disparado por Lindemberg acertou o escudo balístico, mas poderia ter acertado o órgão vital de algum policial. Poderia, e isto é fato inegável.
E o que falar daquela tamanha determinação do policial que subiu a escada e adentrou pela janela do apartamento. Talvez ele tenha ficado exposto em algum momento, ou em todo momento, mas isto é mais uma prova de heroísmo, de coragem, de vontade de salvar o próximo. Ele entrou no apartamento com a cara e a coragem, disposto a salvar Eloá e Nayara, mesmo que com o sacrifício da própria vida.
Também é importante ressaltar o profissionalismo do GATE quanto ao uso de munição não-letal. Tendo Lindemberg descarregado o revólver, a equipe manteve o sangue-frio e o profissionalismo, efetuando o disparo com munição não-letal e, em seguida, logrando dominá-lo mediante técnicas de imobilização. Demorou a ser completamente dominado? Sim, demorou, e podem até criticar o GATE por essa demora, porque criticar é muito fácil, e é até um ato covarde depois que os fatos já aconteceram. Ocorre que, quando o “oponente” está parado e não esboça reação, é muito fácil efetuar a imobilização. As imagens, porém, não deixam dúvidas quanto à resistência ativa de Lindemberg. E aí, companheiro, é bem diferente...
O GATE poderia ter efetuado o tiro de comprometimento? Talvez sim, mas certamente iriam surgir especialistas dizendo: “O certo seria negociar, negociar, negociar e, por último negociar. Foi um erro ter executado um jovem sem antecedentes criminais que agia por ciúmes.” Eu tenho certeza de que esses especialistas iriam surgir. Talvez fossem até os mesmos que agora criticam o GATE por isso e por aquilo outro. Repito: criticar é muito fácil, principalmente depois que os fatos acontecem.
Bom, de tudo que aconteceu, restou uma importante lição:
·        Bandido é bandido, e deve ser tratado como tal. Quem pega uma arma e ameaça pessoas é bandido, independente de ter antecedentes criminais ou não. Bandido não é coitadinho. Ele fez uma escolha e assumiu um risco. Problema é dele!
***
Abaixo, vídeos reais de um tiro de comprometimento. Reparem que o agressor estava com a arma encostada na cabeça da refém. Ao ter o crânio atingido, cai. Simplesmente cai. A mulher se assusta e corre. Foi assim que eu sonhei que tivesse acontecido no caso Eloá, mas...

Negociação com refém (Bem sucedida!) from Fabio on Vimeo.




Outro vídeo. Neste, o atirador de elite / sniper acerta a arma de um homem que aparentemente queria se suicidar, desarmando-o.



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6 comentário(s):

Victor Fonseca disse...

Parabéns pela lucidez na postagem, sendo capaz de enxergar de outros modos o acontecimento. Segui essa linha no Abordagem Policial e no Blitz Policial quando tratei do assunto, mas muitos resistem em aceitar essa face da verdade, buscando apenas um culpado para crucificar.

José Ricardo disse...

Obrigado. Vi que o senhor também seguiu a mesma linha de pensamento nos blogs Blitz Policial e Abordagem Policial.
Sim, somos crucificados quase sempre. Parece até um sina...

Anônimo disse...

A sociedade deve escolher de qual lado está. Do 'bandido coitado' ou de seu próprio lado. Pois como já se disse: Quem tem a polícia como inimiga, deve preparar-se para fazer amizade com o bandido. Criminoso é criminoso, independente de classe social e deve ser tratado dentro da legalidade de do uso progressivo da força. Os protocolos de atuação policial devem ser mais discutidos e estudados. E daí que não houve disparo antes da invasão? Do ponto de vista jurídico, a invasão poderia ter sido executada a qualquer momento, um crime estava em andamento. Porém, a polícia optou por adotar um protocolo de negociação e desgaste físico e psicológico do infrator. Não deu certo porque o criminoso não cooperou, paciência. Não houve invasão preciptada! Pelo contrário. A invasão foi postergada. Parabéns aos colegas do GATE. Forte abraço.

Anônimo disse...

Gostaria de uma orientação quanto a movimentação de militares,gentileza entrar em contato co sgtlucia@yahoo.com.br

José Ricardo disse...

Concordo que a invasão poderia ter ocorrido a qualquer momento, pois se tratava de uma situação de flagrante delito. Concordo também que a ocorrência não foi bem sucedida porque o Lindemberg não colaborou.
Reitero que bandido é bandido, e deve ser tratado como tal.

Eduardo Paiva disse...

Me desculpe mas não posso concordar. Atos que refletem coragem de algum dos integrantes do G.A.T.E não podem ser laureados diante do completo fracasso da operação.
Deixar uma refém voltar é inadmissível em qualquer hipótese, perder oportunidades de utilização do tiro de comprometimento pode até passar diante da situação concreta da negociação que desconhecemos, mas não preparar direito uma invasão, fracassada por uma simples barricada da qual tinham plenas condições de ter ciência da existência, uma vez que se pressupõe que estavam monitorando o audio do apartamento, (vale lembrar que o tiro que matou a menina só foi dado DEPOIS do início da invasão) são erros grosseiros, se não dos comandados, do comandante da operação que representa do G.A.T.E.
Cada policial entra no GATE porque quer, por senso do dever, mas também e principalmente por tesão pelo risco e porque ama a adrenalina, merecem todo nosso respeito e consideração, mas nossos parabéns só com o sucesso. Fracasso não é uma opção nesse tipo de atividade e muito mentos merece prêmio de consolação.

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