Quando a inteligência supera a força

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Quando a inteligência supera a força

·        José Ricardo

Por muito tempo, os policiais de área se lançaram numa luta tenaz contra o tráfico de drogas da Rua San Sebastian. Sabiam quem eram o dono da boca-de-fumo e comparsas, mas estes, por meio de uma série de estratagemas, sempre logravam escapar das incessantes abordagens. Dessa forma, os  proativos e bem-intencionados policiais somente conseguiam infortunar os usuários, sendo estes detidos e levados à delegacia. E muitos usuários foram detidos, levados à delegacia pelo cometimento da infração sui generis de porte de substância entorpecente e, logo em seguida, liberados. E assim os dias e meses foram se passando, e a quadrilha ficando cada vez mais forte, para infelicidade dos moradores próximos.

Mas o Sargento Carvain, do Grouping tactical mobile, usando de inteligência, resolveu mudar a história que mais parecia um círculo vicioso tendendo para o lado dos facínoras. O graduado elaborou um minucioso documento sobre o tráfico de entorpecentes no local e o enviou ao Poder Judiciário solicitando a expedição de um mandado de busca e apreensão para o conjunto de barracos onde era feito o comércio ilegal. O magistrado, persuadido pelo teor do documento, deferiu o mandado. Para cumpri-lo, o Tenente Oprixus e o Sargento Faylon elaboraram um meticuloso plano para cercarem e adentrarem na cachanga casa dos meliantes sem que estes conseguissem evadir.
No dia estipulado, cerca de quinze policiais do Grouping tactical mobile se reuniram e se prepararam para deflagrar a operação. O plano foi exposto aos demais policiais envolvidos no cumprimento da ordem judicial. E lá se foram os destemidos e intrépidos policiais.
Logo ao abrir o portão que dava acesso ao conjunto de barracos, o Sargento Faylon foi recepcionado por um raivoso cão Pit Bull, o qual foi imediatamente calado com tiros de fuzil, provocando espanto e temor nos meliantes. E a ação policial prosseguiu com rapidez, precisão e sincronia. Os facínoras que tentaram evadir foram surpreendidos pelos policiais da contenção, e os que ficaram nos barracos foram dominados pela ação tática veloz, vigorosa e enérgica. Em menos de trinta segundos, foram presos o traficante-mor e todos seus asseclas. Iniciou-se, em seguida, o efetivo cumprimento do mandado de busca, ocasião em foram encontrados uma arma de fogo e quantidade significativa de entorpecentes. Estava caracterizado o flagrante e extinto o tráfico de drogas no local, para alívio dos moradores próximos.
No espaço temporal de trinta minutos, o Grouping tactical mobile foi muito mais bem sucedido do que meses e meses de trabalho dos policiais de área, provando que a inteligência supera em muito a força.

Nota: Esta é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com fatos reais é mera coincidência.

"É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença” - Inciso IX do artigo 5º da Constituição Federal.


           



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8 comentário(s):

Dextermilian Sd disse...

estão todos na rua de novo... estão pedindo marmitex e motoqueiros para levarem comida e cigarros para o local , esse é o nosso país...

José Ricardo disse...

Dextermilian, até quando será assim? Confesso que já estou cansado de me arriscar para nada. Para nada!

Anônimo disse...

Sabe qual a melhor profissão no Brasil hoje? Sem sombra de dúvida nenhuma é a de politico, sálario lá em cima com direito de poder votar o próprio aumento de salário, auxílio isto, aquilo, e por aí vai,ah e imunidade disso daquilo etc, com dois mandatos aposenta. E o melhor de tudo pode fazer leis que realmente podem mudar nosso país, pois tudo nesse pais depende da política. Tudo mesmo ou ainda temos dúvida.Infelizmente essa é verdade.

José Ricardo disse...

Eles podem, mas estão fazendo ou estão fechando os olhos?

Anônimo disse...

Prezado José Ricardo,

Tive mais uma grata surpresa ao ler esta história. Alías, a cada dia que navego por este site sou presenteado com algo motivador.

Me identifiquei tanto com esse texto, que chego até a acreditar que participei dessa ocorrência...

Nivaldo de Carvalho Júnior, Sgt PMMG

José Ricardo disse...

Talvez você tenha sido o protagonista, aquele que fez um relatório bem fundamentado e conseguiu o mandado de busca e apreensão. Às vezes, algumas folhas de papel têm mais efeito do que meses e meses de abordagem. Agir com inteligência é imprescidínvel. Uma pena que todos os presos já estejam na rua novamente. É a nossa profissão, enxugar gelo...

Cláudio Meireles disse...

Sensacional. Inteligência SEMPRE será melhor que Força, apesar de muitas vezes esta última necessita de ser empregada.

Cachorro... isso me lembra algo que aconteceu comigo, e com certeza com muitos amigos daqui leitores deste blog.

Não sou PM, já disse em outros posts, e uma vez voltava pra minha residência de noite e dois cães (cruzamento de boxer com Pit Bull) avançaram pra me morder. Se eu não estivesse armado, acho que não estaria aqui escrevendo estas palavras, pois estaria morto ou inválido.

Após efetuar UM disparo em UM dos cães (o outro fugiu), procurei o dono pra explicar o que aconteceu. Sabem o que ouvi? "__ Seu PSICOPATA. Os cães eram mansos, precisava atirar neles não! Se você tivesse batido o pé eles tinham corrido!

Eu com a arma na cintura, e o cara querendo me agredir, contido pelos familiares.

__ Ok Sr. respeito a dor da sua perda. Chame a PM, moro naquela residência ali ó, não vou conversar com ninguém aqui porque vocês estão todos muito nervosos e isso pode causar uma tragédia. Quando a PM chegar eu converso com eles.

Consequências? Respondi um IP por disparo de arma de fogo em via pública (que envio pra quiser ler), que não virou Processo Criminal porque o Promotor viu estar TOTALMENTE configurada a legítima defesa e não denunciou.

Mas... meu Cmt U tinha um cão da raça Boxer... e ele já não ia com a minha cara, porque eu era um Oficial "ponderão" sabem... pedia ordens absurdas por escrito, comandava meus subordinados sem precisar puni-los por qq coisa, era querido por eles (E Oficial, na maioria deles, não gosta de ver outro sendo querido pelo seu subordinado, isso eu descobri), e ainda mato um cachorro na rua? da mesma raça do dele??? rssrrsrs

Fui IMPLACAVELMENTE perseguido. Num espaço de um ano respondi 11 procedimentos disciplinares! Fui punido em 1, porque cansei e a punição seria repreensão escrita apenas.

Mas foi bom. Me mostraram que tinha algum talento pro Direito.

Cláudio Meireles disse...

Opa, legítima defesa não. Estado de necessidade, outra excludente de ilicitude!

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