Epidemia das drogas

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

A cada dia de serviço, fico mais estarrecido com a quantidade de usuários de drogas. O número parece não parar de aumentar e está tomando a proporção de uma epidemia, apesar de eu e meus companheiros estarmos engajados na luta contra esse veneno, que tanto está destruindo as famílias e a sociedade.
Sempre me faço as seguintes perguntas: O que anda acontecendo com os jovens? O que essa juventude pensa da vida? Estão entrando num caminho difícil de sair. Será que já refletiram alguma vez sobre isso?

Confesso que estou assustado. Não sei como frear esse consumo descomunal, que produz criminalidade, criando um perigoso ciclo vicioso. E é um problema que está atingindo todas as camadas sociais, da classe “a” à classe “z”.
De quem é a culpa? A culpa é dessa desagregação familiar e social que assola o país, da falta de valores morais e éticos incentivados pela mídia, da falta de uma maior religiosidade...
O uso de drogas, por si só, não é o problema. Afinal, cada um si mata da forma que quiser. O que me preocupa, na verdade, são os crimes decorrentes desse consumo desenfreado, como os homicídios praticados por dívidas de drogas, por acertos de contas, por guerra entre quadrilhas e, o mais preocupante, por confrontos com a polícia. Também não podemos nos esquecer de outros crimes, como furtos (para manter o vício), brigas e acidentes de trânsito. Uma coisa produz outra. A relação é direta. Mais uso de drogas, mais crimes. Invariavelmente. É assim, e não adianta fecharmos os olhos para a realidade.
E quem mais se arrisca nesse combate às drogas, quem se lança de corpo e alma nessa empreitada, é o policial. Esse profissional é o que mais se sacrifica na luta contra as drogas. È uma luta difícil, em que ele sente estar “enxugando gelo”, “dando murro em ponta de faca”... Muitas vezes é uma luta em vão, e ele se pergunta: Até quando? E quantos policiais já não morreram nessa luta? E quantos ainda não morrerão?
O uso de drogas está banalizado. Está parecendo a coisa mais normal do mundo. Os usuários não têm nem mais vergonha em admitir essa condição. Dizem, sem pudor: “eu sou usuário”, “eu fumo só uns beck de vez em quando”, “eu sou viciado mesmo, e todo mundo lá em casa sabe”, “pode me prender que eu não vou parar de usar”. E o policial prende, prende, prende... e o problema não acaba. Está lá, cada dia mais forte, tal qual um tumor maligno.
Estamos diante de uma epidemia, mas não podemos tratar o usuário e o viciado como doentes, como vítimas. Não são! Eles escolheram esse caminho. Também não podemos tratá-lo como os demais criminosos, porque muitos já se tornaram dependentes do veneno, que lhes mata um pouco a cada dia.
Creio em duas soluções, ou paliativos. Para os que já são viciados e dependentes, tratamento. Para os usuários, vergonha na cara e cadeia, porque eles são os financiadores do tráfico. Para os traficantes, muitos anos atrás das grades.
A lei tem que ser rigorosa tanto com o traficante quanto com quem o financia. Quando a lei é branda com os usuários, está fomentando o consumo e, conseqüentemente, o tráfico. Fortalecendo o tráfico, está fortalecendo o poder paralelo. E temos que tomar muito cuidado com esse poder marginal, porque ele gosta de dominar territórios, de cooptar a comunidade, de adquirir armas de guerra, de se infiltrar na política, de enfrentar o poder legal... Depois, não adianta chorar o leite derramado.
Só rezo por uma coisa: Que Deus proteja minha família dessa epidemia.



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15 comentário(s):

Victor disse...

O consumo e conseqüente tráfico de drogas são, sem dúvidas, o grande mal da atualidade, fomentando o armamentismo da criminalidade, o que gera mais violência. Quem financia acaba sendo vítima e algoz no processo, o lamento é pelas vítimas inocentes ou bons cidadãos que sofrem as conseqüências destes atos.

Dextermilian SD disse...

sem comentários...só está aumentando isso é fato!

José Ricardo disse...

Víctor, considero que os policiais também são os bons cidadão e as vítimas inocentes que sofrem as conseqüências deletérias do armamentismo da criminalidade fomentada pelas drogas. Em todo ciclo de defesa social, são os policiais os que mais se arriscam nesse combate às drogas, os que verdadeiramente se lançam de corpo e alma nessa empreitada. Muitos já tombaram nessa luta, e muito outros ainda tombaram. Será que está valendo a pena morrer por essa causa?
No documentário "NOTÍCIAS DE UMA GUERRA PARTICULAR", o ex-capitão do BOPE Rodrigo Pimentel afirma: "Não adianta nada!" Tenho medo de um dia também acabar chegando a essa conclusão...
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Dextermilian, a epidemia é um fato. E nós não somos apenas telespectadores; somos peça desse jogo. Será que sairemos vencedores? Vencendo ou não, quero ficar vivo para contar a história.

Otario disse...

Eu creio que o caminho para a cura desse mal, é a criação de leis mais rígidas para com os usuários, assim quem sabe eles teriam muito tempo para pensar no mal que causaram por puro egoísmo.

José Ricardo disse...

Fiz uma pesquisa rápida na internet sobre os números das drogas. As estatísticas estão defasadas, mas os números já assustam. Vejam:

"Mais de 200 milhões de pessoas no mundo todo --cerca de 5% da população entre 15 e 64 anos-- fazem uso de drogas ilícitas ao menos uma vez por ano, segundo o Relatório Mundial de Drogas 2006 do Unodc (Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime)." Fonte:http://www.redepsi.com.br/portal/modules/news/article.php?storyid=2820

"O secretário nacional antidrogas, Paulo Uchôa, revelou que, a cada dia, cerca de dois milhões de brasileiros consomem algum tipo de droga ilícita, e que o tráfico de drogas "lava" no Brasil cerca de US$ 15 bilhões por ano, quase 3% do nosso PIB. Em todo o mundo, a estimativa da ONU aponta aproximadamente US$ 500 bilhões ao ano." Fonte: http://www.folhadaregiao.com.br/noticia?32677&PHPSESSID=c959f3dc26845a3198d6cfc8c8683d9b

"Aproximadamente 208 milhões de pessoas -- 4,8% da população adulta do mundo -- usaram drogas ilícitas ao menos uma vez em 2007. Metade delas usou pelo menos uma vez ao mês e, em média, cerca de 200 mil usuários morreram no ano passado em conseqüência do consumo de drogas. Os dependentes químicos correspondem a 0,6% da população e somam 26 milhões. Os dados foram revelados pelo Relatório Mundial Sobre Drogas 2008 divulgado pelo Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime (UNODC) nesta quinta-feira (26), Dia Internacional de Combate ao Abuso e ao Tráfico Ilícito de Drogas." Fonte: http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2008/06/26/ult5772u194.jhtm

"O Brasil é o país da América Latina que registrou maior aumento no consumo de maconha até 2005, passando de 1% da população adulta em 2001 para 2,6% em 2005. Também tem o maior mercado consumidor de cocaína e no continente fica atrás apenas dos Estados Unidos. Na América do Sul, o país é líder no uso de opiáceos (0,5% da população) e de anfetaminas (0,7%). Já são 870 mil os usuários de cocaína, 600 mil os usuários de opiáceos (ópio, morfina e heroína) e cerca de três milhões os usuários de maconha no Brasil." Fonte: http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2008/06/26/ult5772u193.jhtm

Anônimo disse...

SGT CAVALCANTE
Sobre o assunto, só tenho a lamentar. Lamentar a indiferença da classe alta nao atingida diretamente, e dos políticos que deveriam pensar numa solução eficaz. Lamentar na irresponsabilidade dos pais que pensam apenas na formação intelectual de seus filhos, mas não preocupam com a formação de um bom caráter. Lamentar a falta de compromisso das igrejas: catolicas e evangelicas, em debater e combater o assunto de maneira especifica. Lamentar a existência de alguns policiais que compactuam com este tipo de crime, e infelizmente alguns são usuários e mesmo traficantes (bandidos). Lamentar a falta de apoio da população, pobres e ricos, que só sabem criticar o serviço policial. Lamentar a falta de emprego, lazer, religiosidade e outras opçoes que ocupariam o tempo de nossos jovens. Lamentar o sistema educacional, nossas escolas poderiam fazer tanto para combater o tráfico!!!! |Lamentar, lamentar, mas nunca deixar de lutar, nunca desistamos, por favor amigos, vamos continuar o combate e chamar reforço.

José Ricardo disse...

Sgt Cavalcante, primeiramente, parabenizo-lhe pelas sábias palavras. O combate ao uso desenfreado das drogas não depende apenas da Polícia. Ela somente é acionada no último estágio, quando outros setores da sociedade falharam.
Concordo que devemos continuar o combate. E o reforço? Já está passando da hora do reforço entrar em ação. E reforço é a família, a escola, a igreja, as leis...
Até quando devemos esperar a chegada do reforço?

Rafael disse...

A luta é ardua e nos leva, a todo instante, a pensarmos que não vale a pena arriscarmos por uma causa que apresenta indices cada vez maiores. Mas o dever com a justiça social nutre a razão de nossas atividades, e faz com que nos arrisquemos tanto. SGT Ribeiro

Policial PQD disse...

Um dos problemas é que nossos representantes lá de Brasília fazem leis pensando nos seus filhos ou em si proprios, onde a maioria é M06000, quando não é M05000. E isso tudo reflete para nós que estamos aí no dia-a-dia enxugando gelo. Aí que vem os pensamentos;Será que conseguiremos reverter tal situação?. Na minha humilde opinião, acho que "dano", o "trem" tá feio. Mas tamo aí na luta.

Américo disse...

Enquanto a posse de drogas para consumo for entendida como "doença", o tráfico de drogas a cada dia ficará mais forte, pois o legislador que é profícuo sabedor da realidade dos nossos tribunais e o tempo que demora em julgar cada caso aliado aos segmentos da sociedade (determinados partidos políticos e Ong’s) simpática à descriminalização da posse, uso e consumo, tornou praticamente inimputável o consumidor de drogas, que por sua vez é o pilar mestre do crime organizado, ninguém consome drogas por ato involuntário, o consumo de drogas é ato voluntário e racional, fruto da vontade do consumidor de entorpecentes.

Então, o estado ao despenalizar o consumidor, torna toda a cadeia produtiva do crime por assim dizer, despenalizada, pois o elemento chave de onde o crime organizado se abastece de recursos financeiros está com “sinal verde” dado pela lei, que foi feita por pessoas de segundas intenções.

Sem clientes (drogados) comprando drogas não há fonte de recurso para os traficantes pagarem advogados, comprar armas de grosso calibre para os mais diversos fins (assaltos a bancos, montagem de bocas de fumo etc...) apoio dos partidos podres da política nas câmaras para aprovarem projetos que facilitam a vida do crime e terrorismo.

É papel fundamental que os órgãos e agentes de segurança pública, imponham limites, e critiquem essa política nefasta que está indo contra o INTERESSE PÚBLICO, que é tratar os financiadores do crime como doentinhos e coitadinhos, são CRIMINOSOS e precisam pagar pelos atos nefastos à sociedade tal como aqueles que tomam parte nessa cadeia produtiva do crime, ficando trancafiados por um bom tempo atrás das grades independente da condição social para repensarem seus respectivos atos lesivos a sociedade.

José Ricardo disse...

Excelente o comentário anterior. Tudo começa com o usuário, a peça principal dessa imensa engrenagem.

2 SGT PM FILIPINO disse...

POIS ESSE ASSUNTO É MUITO PERTINENTE, OUTRO DIA ESTAVA CONVERSANDO COM MINHA EQUIPE, SOBRE VARIOS PONTOS DE TRAFICO DE DROGAS EXISTENTES AQUI EM RIBEIRÃO PRETO-SP, E O FATO DE ESTES PONTOS FUNCIONAREM 24 HORAS SETE DIAS POR SEMANA, E FICAMOS IMPRESSIONADOS AO PERCEBER QUE HÁ UMA MEGA DE USUARIOS PARA QUE ESTES PONTOS FIQUEM SEMPRE NA ATIVIDADE...CERTA VEZ ABORDEI UM PROFESSOR UNIVERSITARIO, QUE ASSUMIU SER VICIADO EM COCAINA, OUTRA ABORDAGEM FOI O FILHO DE UM GRANDE EMPRESARIO QUE ASSUMIU SER USUARIO E AINDA DISSE QUE GASTOU UMA FORTUNA EM CLINICAS DE RECUPERAÇÃO E NADA RESOLVEU E AINDA UMA PIOR EM QUE EU ABORDEI UM MÉDICO, QUE ESTAVA TODO DE BRANDO E COM O ESTETOSCÓPIO NO PESCOÇO, ASSUMIU QUE TINHA IDO PEGAR DROGA E NÃO DEU TEMPO...RESUMINDO..OLHA QUEM ESTA CUIDANDO DA EDUCAÇÃO E DA SAUDE DA SOCIEDADE, SEM CONTAR NAS FESTAS HAVE E DE EPOCA ONDE NA ENTRADA, O PESSOAL AO PERCEBER QUE ESTAMOS NA REVISTA, DISPENSAM, CAPSULAS DE COCAINA,COMPRIMIDOS DE EXTASY E PEQUENOS TABLETES DE MACONHA, LANÇA PERFUME ENTÃO, SÓ SE ESCUTA OS TUBINHOS ESTOURANDO NO CHÃO NA PARTE EXTERNA DOS EVENTOS..É REALMENTE IMPRECIONANTE A QUANTIDADE DE USUARIOS EXISTENTES E DAS MAIS VARIADAS FAIXAS ETARIAS E CLASSES SOCIAIS, É CLARO PARA PIORAR COM O VICIO VEM AS CONSEQUENCIAS QUE VC CITOU...SEM CONTAR NA DESACELERADA ONDA DE FURTOS REALIZADOS PELOS USUARIOS DE CRACK, QUE PARA MIM É A PIOR DE TODAS POIS TRANSFORMAM O SER HUMANO EM VERDADEIROS ANIMAIS..É ALGO QUE ESTA REALMENTE FORA DO CONTROLE COMO UMA EPIDEMIA MESMO...
FORTE ABRAÇO E PARABÉNS PELA PUBLICAÇÃO
SGT FILIPINO

Vivi disse...

Tudo bem , esse mundo é financiado pelo viciado , mas isso é uma doença e tem que ser tratada . O pobre que é viciado não tem condições finaceiras de ser tratado . A culpa é dessa desagregação familiar e social que assola o país, da falta de valores morais e éticos incentivados pela mídia, da falta de uma maior religiosidade , é sim . O nosso país não da educação adequada e chance para o pobre . O filhinho de papai que entra nessa , entra para poder ser alguém " dentro da turma " .
Nossos governantes tem que pensar mais nisso para poder aí sim pensar em acabar com as drogas , vemos ai os que constroem mansões , são julgados e inocentados . Poderiam usar esse dinheiro que roubam em beneficio do pobre viciado . Concordo tambem que a pessoa precisa querer parar ,mas para isso é preciso toda uma estrutura que o ajude .

Anônimo disse...

ESTOU COM UM BOM TEMPO DE PM, E SEMPRE DISSE AOS MEUS COLEGAS PARA REDUZIR OS CRIMES VIOLÊNTOS QUE TANTO ATERRORIZA A SOCIEDADE,TEMOS QUE TER LEIS PARA PUNIR O M06000, QUE COMETE FURTOS, ROUBOS E MATAM PARA MANTER O VICIO MUITAS DAS VEZES TORNA VITIMA POR NÃO TER COMO PAGAR DIVIDA DE DROGAS."QUANDO FRENTE AO PERIGO O SER HUMANO LEMBRA DE DEUS E CHAMA PELA POLÍCIA. PASSADO TUDO ESQUECE DE DEUS E CRITICA A AÇÃO DA POLÍCIA".

Anônimo disse...

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