Euforia

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Euforia
  • José Ricardo
Sob o crepúsculo do limiar da noite, doze policiais do grupamento tático rastejavam por um terreno baldio, visando se aproximar furtivamente de um barraco. Há muito, os intrépidos agentes da lei tencionavam mandar aqueles narcotraficantes para trás das grades. Neste dia, porém, não haveria escapatória. As informações eram precisas e confiáveis.
Comandados pelo jovem Aspirante Fache, os policiais avançavam lentamente por entre a vegetação rasteira. Silêncio, comunicação por gestos. Em dado momento, o grupamento se dividiu em duas equipes, com o objetivo de cercar o barraco onde se homiziavam os próceres da quadrilha. Tudo já havia sido planejado e previamente ensaiado para um potencial confronto.

Quando chegaram a poucos metros do barraco, foi possível aos policiais ouvir a conversa dos marginais.
- Véio, eu vou passar o cerol no Langdon. Vou enfiar esta quadrada aqui na boca dele e mandar ele pro inferno. Aquele merda tá me cagüetando pros homi.
- O Langdon é um filho da mãe!
Os policiais estavam atentos a tudo. O termo “quadrada” significava que ao menos um dos indivíduos estava armado com uma pistola semi-automática.
- Chefe, vamos meter o pé na cachanga desses vagabundos - sugeriu o cabo Collet.
- Positivo - respondeu o aspirante. Comunicando-se por gestos, informou a decisão para a outra equipe. Agora ou nunca.
Com o mesmo ímpeto e a mesma rapidez de uma torrente que se precipita de um despenhadeiro, o grupamento invadiu o barraco. Com um violento chute, a porta da frente foi arrombada. Uma granada de luz e som foi arremessada para o interior do imóvel. Ao explodir, provocou completa confusão mental nos meliantes, atordoando-os. A porta dos fundos foi arrombada pela outra equipe, e ambas irromperam barraco adentro. Sincronia total, proveniente de meses de árduos treinamentos.
- Police! Police! Larguem as armas! Larguem as armas! - determinaram os policiais aos quatro marginais.
Não houve nenhuma reação. Os marginais foram pegos de surpresa. Um inimigo surpreendido é um inimigo meio vencido, já dizia Sun Tzu há cerca de dois mil e quinhentos anos.
- Algema eles - determinou o aspirante.
Em seguida, os policiais iniciaram minuciosa busca no barraco. E o resultado não poderia ser outro. Além de duas pistolas e dois revólveres, foram encontrados mais de quatrocentos papelotes de crack prontos para venda e quantidade considerável de maconha e cocaína. A casa caiu...
A euforia foi total. A sensação dos policiais era a de ter feito um gol na final da copa do mundo, ou de ter ganhado na loteria, ou de ter sido aprovado num concorrido vestibular. O jovem Aspirante Fache gritou e deu murros no ar, tal qual faz um campeão de atletismo. Naquele arriscado jogo de vida ou morte no combate à criminalidade, os inquebrantáveis policiais sagraram-se vencedores. E aos vitoriosos, nada mais natural do que efusivas comemorações.

Nota: Esta é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com fatos reais é mera coincidência.

"É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença” - Inciso IX do artigo 5º da Constituição Federal.



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1 comentário(s):

SCHNEIDER ESTRATÉGIAS disse...

Ainda não encontrei nenhum esporte que proporcione uma emoção como a demonstrada pelo aspirante!
A polícia é um vício para quem é guerreiro!
Parabéns pelo conto "fictício"!

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