Com fábricas de violência, não adianta cobrar apenas da Polícia

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Não adianta imputar toda a culpa da violência na Polícia, nem cobrar apenas dos policiais que os índices de criminalidade diminuam. Com as fábricas de violência funcionando a pleno vapor, é preciso mudanças estruturais, sociais e morais.

Com filhos sendo criados sem limites, com a exarcebada falta de valores morais, com a mídia que esculacha a Polícia e glamouriza os criminosos, com o consumo de drogas desenfreado, os policiais apenas vão enxugar gelo, enxugar um iceberg que não pára de crescer.

O que me indigna é que a cobrança aos policiais pode ocorrer também no âmbito interno. Não que os policiais devam cruzar os braços, não é isso. Acontece que, se a cobrança for excessiva, irá estimular atos ilegais ou irá colocar os policiais em dificuldade, em risco de vida.

Suponhamos que se queira aumentar o número de operações blitz para apreender mais armas de fogo. Nada de errado, desde que se escale um efetivo que tenha supremacia de força para realizar as abordagens, desde que se faça um planejamento prévio, desde que o comando dialogue com os policias que atuam no setor sobre o melhor horário e melhor local... O que não pode é fazer as operações no “oba-oba”, colocando policiais em risco para melhorar estatísticas, para cumprir metas. Mesmo que o cumprimento dessas metas tragam vantagens pecuniárias, nenhum dinheiro traz de volta a vida de uma pessoa. A vida deve sempre vir em primeiro lugar.

Se o policial não tiver o devido discernimento, ele poderá ceder às pressões. E as pressões vêm de todos os lados. De um lado, cobram-se estatísticas, do outro, as punições vêm e vêm com força. Ficar nessa corda bamba pode levar o policial à loucura.

Se o objetivo é melhorar a conjuntura da violência, é necessário a participação de vários setores da sociedade; é necessário que a família assuma seu papel de formadora de cidadãos honestos; é necessário que a escola forme o aluno para a vida, e não para o vestibular; é necessário que as leis sejam rígidas com os criminosos (chega de impunidade!); é necessário que se dê condições para que o policial trabalhe com dignidade e segurança, e não apenas cobranças e cobranças.



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5 comentário(s):

Anônimo disse...

pois é meu amigo, li seu comentário. vc tem toda razão no que diz.e ainda mais vou acrescenta mais alguns absurdos. tome como ex; o rj,é um absurdo o que se mata de pm lá,+ isso p/ alguns hipócritas que gostam de aparecer tudo isso é normal, + morra um bandido. (ah,ah,fala-se logo morreu um inocente, a pm mata muito. pois bem. a pm é culpada por aquele" inocente "" ir traficar? muitas vezes ir para porta da escola onde um filho daqueles q/o defende tanto e torna-lo um viciado.é como se fala policia longe faz falta perto incomoda.

Cláudio Dias disse...

Meu caro amigo.
De fato a violência é apenas conseqüência de tudo isso que você citou na sua postagem. A cobrança não pode e nem deve ser feita a polícia e nem aos policiais, pois assim quem procede não tem o mínimo discernimento e nem uma visão holística da situação atual.
Trabalhar na atividade policial simplesmente debruçado sobre números estatísticos é uma falta de conhecimento técnico da sua profissão, pois a “cifra negra” (números de ocorrências não relatados para a polícia) é maior que os números oficiais, principalmente em casos de crime contra o patrimônio.
Dessa mesma forma agem aqueles que se debruçam sobre os números de prisões, detenções, abordagens e afins. Pois na verdade estará com uma postura apenas reativa e transformando a atividade policial em algo extremamente repressivo. Deixando de lado, o papel de garantidor de direito do cidadão e voltando toda a sua atenção para o infrator (que é a menor parte da sociedade).
Nossos gestores deveriam se preocupar mais com integrantes de nossas instituições, com melhores condições de trabalho, melhores salários, melhor formação e aperfeiçoamento, investimento em habitação para esses profissionais, melhor atendimento psico-social e médico, enfim, melhoria global e não tentar ficar sobre holofotes, enquanto somos praticamente escravizados, tendo que cumprir a árdua missão de “enxugar o gelo”.
Na minha concepção com essas melhorias global, aí sim, teremos a polícia como parte da solução e não do problema, como estamos vivendo hoje em dia.
Um abraço.

jair Lopes disse...

Caros colegas, gostaria que os senhores ficassem a par do que o Deputado Federal Edson Duarte (PV-BA)pretente aprovar o Projeto de Lei de sua autoria 4548/08, que prevê a EXTINÇÃO DO CRIME DE DESACATO A AUTORIDADE pois bem, imaginem vocês que a Lei que está em vigor já é por demias branda aos que cometem desacato, sobretudo a nós policias, imaginem sem a tal lei como ficaremos?

Anônimo disse...

Caro amigo, jair lopes, esse deputado é um gozador. vai ver já desacotou alguma autóridade e foi preso,ou algum familiar tenha feito e se dado mal.Agora que tem influencia "poder" quer propor uma barbaridade dessas, tenha dó deputado Edson Duarte.... Vocé já trabalhou na rua, não se respeita mais ninguem nesse país, sem o crime de desacato então? Porque vc não propõe um projeto de lei para melhorar o ensino e educar melhor nosso povo que tanto sofre.Vai acabar com corrupção, ou melhor vai trabalhar!!!!

SGT ZACA disse...

MUITO BOM

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