A arte de errar

domingo, 30 de agosto de 2009

O dia 05 de outubro marcou o meu retorno à atividade operacional na Polícia Militar. Depois de passar 08 meses na área administrativa da corporação, voltei a exercer a principal missão de um miliciano, que é garantir a paz social. (Tomo a liberdade de fazer um aparte nesta crônica para registrar minha indignação, porque os termos “milícia” e “miliciano” estão sendo empregados indiscriminadamente para designar grupos armados que subjugam comunidades carentes, vendendo-lhes a segurança que compete ao poder público. Embora alguns policiais façam parte desses grupos de criminosos, não se pode chamar um bando que age à margem de lei de milícia, tampouco seus integrantes de milicianos. Na verdadeira acepção da palavra, milícia significa uma corporação sujeita à organização e disciplina militares. Logo, me orgulho de ser um miliciano).

Hei de reconhecer que minha breve passagem pelo serviço policial burocrático rendeu-me experiências úteis, as quais me fazem valorizar ainda mais o trabalho dos companheiros que preferem exercer a função administrativa a exporem-se aos riscos do combate aos criminosos.

Minha volta às ruas coincidiu com o pleito eleitoral para prefeito e vereadores. Uma jornada que tinha tudo para ser tranquila, devido às proibições impostas pela lei eleitoral. Mas infelizmente foi um dia pra se esquecer.

Trabalhei da aurora ao arrebol. Contudo, toda a adrenalina se reservou para o fim do dia, como acontece nos filmes de suspense. Já se passava das dezesseis horas, a votação chegava ao fim. Entretanto, as escolas ainda estavam lotadas nessa hora. Como é pratica recorrente entre os cidadãos tupiniquins, tudo é deixado para a última hora.

- Atenção toda a rede! Troca de tiros na Escola Padre José Sena. Várias pessoas baleadas no local. Dois indivíduos armados evadindo a pé, sentido ao aglomerado Jardim Dileana. A viatura que estiver mais próxima do local dê o prefixo. - Essa foi a mensagem transmitida pelo COPOM (Central de Operações Policiais).

Ouvi tal mensagem pelo rádio da viatura e fiquei atônito. Estávamos a duas quadras da escola. Minha guarnição havia acabado de passar em frente ao citado educandário, quando tivemos dificuldade em avançar duzentos metros pela via, em face do grande número de pessoas que se encontravam no local. Por isso presumi a gravidade do fato.

- COPOM, aqui é o Tupi-Maré 10545. Estou próximo ao local da ocorrência. Vou verificar a situação. Aguarde mais informações. - Respondi imediatamente.

Ao chegar à escola, constatei que três pessoas que estavam na fila para exercer a sua cidadania foram atingidas por disparos de arma de fogo. Pior, todas elas não eram alvos dos criminosos. Obtive informações que a “caça” dos atiradores saiu correndo entre a multidão e escapou ileso. Após providenciar o devido socorro às vítimas, partimos para o rastreamento. Em poucos instantes, o aglomerado estava repleto de viaturas policiais no encalço dos marginais.

Colhi informações de um transeunte, as quais davam conta de que os autores dos disparos estavam em determinado endereço. Fomos verificar. Chegando à residência, um dos patrulheiros da minha equipe afirmou que se tratava de “cachanga” (esconderijo de marginais).

Não tínhamos certeza se os infratores realmente estavam ali; também não havia mandado judicial para entrar no imóvel. Então, sou questionado pelo motorista da equipe: “E aí chefe. Vamos conferir o barraco ou não?” Lembrei-me, então, da frase de William James: “Não existe ser humano mais miserável do que aquele em que a única coisa habitual é a indecisão”

Em prol da sociedade, decidi averiguar a denúncia. Cercamos o imóvel e chamamos diversas vezes. Identificamo-nos como policiais militares. Não fomos atendidos, o que reforçou nossas suspeitas.

Fizemos o adentramento tático. Nos fundos da casa, encontramos uma senhora, um rapaz e uma criança. O rapaz era nosso principal suspeito. Um dos integrantes da equipe me diz: "é pila" (cidadão com passagens pela polícia).

Informei à senhora sobre a denúncia que pesava contra o jovem e solicitei autorização para proceder a uma busca domiciliar. Ela esbravejou; não assentiu com a nossa atitude; disse que havíamos invadido a casa dela sem nenhuma prova contra as pessoas que ali estavam. Tentei insistentemente persuadir a senhora de que estávamos agindo com o intuito de prender um criminoso que havia atentado contra a vida de pessoas inocentes. De nada adiantou, ela disse que iria nos denunciar na Corregedoria de Polícia, pois éramos truculentos e maus profissionais.

A nossa Constituição Federal estabelece as hipóteses em que uma autoridade pode entrar em domicílio alheio, quais sejam: com o consentimento do morador; em caso de flagrante delito; para prestar socorro ou mediante ordem judicial, sendo que esta última só pode ocorrer durante o dia.

Percebe-se que, num primeiro momento, a decisão que tomei não encontrava respaldo em nenhum dos critérios citados, pois nós só poderíamos entrar na casa se tivéssemos sido autorizados previamente. Ocorre que nós policiais agimos, na maioria das vezes, seguindo o tirocínio policial; pois se fossemos seguir estritamente a lei, o nosso país já estaria vivenciando uma guerra civil. Esse tirocínio às vezes nos conduz ao erro.

Digo isso porque saímos do local e alguns minutos depois outra informação foi transmitida via rádio. O denunciante alegava que tínhamos entrado no barraco errado; que os homicidas estavam escondidos na casa ao lado daquela em que diligenciamos.

A essa altura, minha guarnição já estava longe do local. Assim, outra viatura retornou ao endereço, e justamente na casa ao lado daquela em que entramos estavam os dois assassinos. Eles foram presos em flagrante e foram apreendidas duas armas de fogo utilizadas no crime.

Errar é inerente ao ser humano. O equívoco do ator denomina-se falha técnica; o do engenheiro, erro de cálculo; o do matemático, lapso de memória; o do motorista, barbeiragem; o do médico, efeito colateral; o do músico, desafino. Por outro lado, o erro do policial nunca tem essa conotação justificadora, mas sim acusatória. Nossa falha é sempre considerada pelos leigos como “abuso de autoridade”, “despreparo profissional”, “arrogância” ou “truculência”.

Evidentemente que não sou adepto da teoria de Nicolau Maquiavel, o qual asseverava que os fins sempre justificam os meios. Contudo, os meios que os policiais dispõem, no calor dos acontecimentos, são escassos; quase sempre se resumem à denúncias apócrifas. E para verificar a autenticidade dessas delações, temos que trabalhar no limite da lei.

E foi buscando a solução de um crime bárbaro que ultrapassamos esse limite.

A linha que separa um ato legítimo de uma arbitrariedade é muito tênue. No caso em questão, não agredimos ninguém, não prendemos ninguém e diante da revolta da citada senhora, abortamos nossa diligência. Mas o simples fato de termos entrado na casa errada poderia ser interpretado pelos magistrados como crime de invasão de domicílio. Mas como saberíamos que os criminosos não estavam lá se não tivéssemos verificado?

Entendo que as pessoas deveriam se espelhar mais num velho ditado: “quem não deve, não teme”. Assim, ficaria fácil para a polícia separar “o joio do trigo”. Vivemos numa época de “denuncismo exarcebado” contra policiais. Ninguém ousa denunciar, mesmo que anonimamente, um crime hediondo perpetrado por um bandido. Todavia, o cidadão se enche de argumentos para queixar-se de um simples equívoco praticado por uma autoridade policial.

Retornamos ao local onde os criminosos foram presos. A senhora que nos repudiou anteriormente agora veio nos parabenizar pela prisão de seus vizinhos assassinos. Chegou até a nos pedir desculpas pelo tratamento que nos dispensou. Penso até que ela já sabia que os infratores estavam homiziados ali. Não denunciou por medo ou conivência. Não me interessa por qual desses motivos. O que de fato me interessa foi que o meu erro motivou a denúncia que culminou na prisão dos infratores.

A vida do policial é assim mesmo: aquele que trabalha mais, também erra mais. Quem erra mais, sofre as consequências de uma sociedade hipócrita que ainda não apreendeu a valorizar as pessoas de bem.

Pelo menos, os assassinos foram afastados do convívio social. E se sempre for assim, não me importo de errar outras vezes.

Mas muitos irão dizer: Vocês não fizeram mais que suas obrigações.

Fim

Autor: Nivaldo de Carvalho Júnior, 3º Sgt PM - obra escrita em 05/10/2008

Nota: Esta é uma obra de ficção. Nomes, personagens, fatos e lugares são frutos da imaginação do autor e usados de modo fictício. Qualquer semelhança com fatos reais ou qualquer pessoa, viva ou morta, é mera coincidência.

É livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença” - Inciso IX do artigo 5º da Constituição Federal.



Gostou desta postagem? Então cadastre-se AQUI para receber as atualizações do Universo Policial no seu e-mail ou no seu agregador de Feed/RSS.

11 comentário(s):

José Ricardo disse...

Sgt Carvalho, você nos presenteia com mais um conto excelente. Sobre as mensagens implícitas no texto, tenho a dizer que nem todo mundo está na administração por preferência. Às vezes, as coisas acontecem meio que "ex-ofício". Tipo assim: Apresente na seção tal dia tal. Ordem se cumpre. Diz um ditado meio arbitrário que "manda quem pode obedece quem tem juízo".

Realmente existe um denuncismo exarcebado. Instauram-se custosos e desgastantes procedimentos administrativos até por denúncias anônimas infundadas, desprovidas de qualquer prova. Por isso, devemos nos precaver. É preciso fazer a leitura do ambiente. Se os ventos estão adversos, vamos recolher as velas ou, no mínimo ajustá-las.

A mesma mão que aplaude também crucifica, e crucifica sem perdão, esquecendo toda uma história de dedicação e compromisso. Então, digo-lhe que não vale a pena nos arriscar em ações que nos possam prejudicar. Muitas vezes, querendo resolver problemas dos outros, ou da sociedade em geral, criamos problemas para nós mesmos.

Eu já senti muitas vezes a sensação de ser "engessado" pela legislação. Situações em que se tem noventa porcento de chance de o "pulão" ser certeiro, mas e se não for? E se não achar nada? E aí, vamos segurar uma invasão de domicílio? Um abuso de autoridade? O comando vai segurar? É lógico que não vai segurar, vamos cair na real.

A frase final do texto (vocês não fizeram mais que suas obrigações) eu já ouvi numa circunstância traumática de minha vida, quando fui contra-indicado pela primeira vez no CFO. Ao ponderar com a psicóloga dizendo que não achava correto o resultado, até porque eu tinha me dedicado ao serviço, passado por situações de risco de vida, etc., etc., etc., ela me disse: "Você não fez nada mais do que sua obrigação. Se não está satisfeito, entra na Justiça."

É assim que eles pensam. Então, vamos trabalhar com segurança, tanto física quanto jurídica. Não vamos dar nosso direito para quem quer que seja.

Obrigado por mais uma valiosa contribuição com o Universo Policial, e desculpa o desabafo.

Sd PM - M. Lopes disse...

Concordo plenamente com o Sr.Sgt J.Ricardo. E, penso que a sociedade tem a segurança(polícia) que merece porque parte dela toda nossa atuação. Se apoiada, nossa atuação será positiva, se não...!? Será que vale a pena correr o risco de se expor em um tribunal por uma população que não te apóia?!? Vale a pena pensar nisso companheiro.

Anônimo disse...

Olá Sgt Carvalho,

Devo registrar aqui a minha impressão quanto ao seu trabalho e evidenciar o meu interesse pelos seus contos que, a meu ver, são dignos de grandes escritores. Deixo claro que não possuo conhecimento em sua área profissional (sou professora de língua portuguesa) o que também não seria necessário para saber que é assim que o mundo funciona, e uma ação por mais planejada que seja há riscos. E isso acontece nas mais variadas profissões, mas, é uma constante principalmente na vida de um policial pelo fato de sujeitar-se à ação.
Ao fazer análise do seu texto, pude perceber que há um desabafo de um militar que vive exposto e a qualquer momento precisa tomar decisões importantes que irão levá-lo a glória ou à crítica. Nesse sentido, há um provérbio Irlandês que diz: “Quando estás certo, ninguém se lembra; quando estás errado, ninguém esquece”.

Parabéns pela atuação!

Darci disse...

Infelizmente a polícia de modo geral está sendo vista com maus olhos pela sociedade. É como em toda empresa, há bons e maus profissionais. Mas a polícia tem muitas coisas boas, como este artigo. Tenho aprendido, não sou policial de rua, sou Papiloscopista da Polícia Civil do Pará. Quero sempre receber esses artigos do Universo Policial. Tenho um filho que é policial militar daqui de Belém, e repasso essas experiências a ele. Além de aprender a me portar dentro dos limites da lei. Este Sargento já deveria ser promovido pelo exemplo de vida, de militância e dedicação em prol do bem estar da sociedade. Infelizmente não somos olhados como merecíamos, nem mesmo pelos nossos superiores. Mas como o vagabundo mata um policial desta catergoria... aí sim, ele era um bom policial. Porque não rever isso antes? Até serviria de estímulos a outros que estão no anonimato. Enfim ser policial é isto: agir dentro dos limites da lei, sem medo de errar, com espírito de luta, sabedoria, companheirismo e acima de tudo, responsabilidade consigo e com os colegas de farda. Pois qualquer vacilo ou imprudência, todos serão punidos e às vezes até com a exclusão do quadro policial e ainda responder criminalmente. O polocial é para fazer a segurança da sociedade. Mas quem faz a nossa segurança? Obrigada por existirem, por fazerem polícia e serem respeitados.

Anônimo disse...

Meu amigo Sgt Carvalho, que conto brilhante veio até nós desta vez. É notado em Vossa Senhoria um grande conhecimento. Nós milicianos, nos sentimos orgulhosos de poder desfrutar desse conhecimento.
Fernando Rodrigues da Silva, Cb PM

3º Sgt PM Marivaldo disse...

No ano de 2008, no mês de abril, não lembro a data exata. Também estava na VTR patrulhando tranquilamente a minha área de policiamento. Quando por volta de 15h chegou até nossa VTR, uma senhora aos prantos e soluçante, dizendo que não agüentava mais, que iria acabar com aquela imoralidade que está acontecendo dentro da sua casa.
Primeiramente pedi que a mesma se acalmasse. Dei-lhe um copo com água fria e pedi que me explicasse o que estava acontecendo. Já menos nervosa a senhora passou a relatar que vivia com um senhor bem mais velho. E que na casa onde morava, a filha deste senhor juntamente com seu namorado estavam embalando drogas pra vender e também tinham com eles varias armas de fogo escondidas dentro de um armário guarda-roupas. Perguntei-lhe por qual motivo estaria delatando sua própria enteada _e disse-me que sua enteada acabara de bater no rosto de sua filha menor. E por isso veio até nós.
Como de praxe, passei as informações ao oficial interativo e solicitei ao mesmo apoio de outra VTR para fazer a batida. Enquanto aguardava a chegada do apoio, colhi mais detalhes da revoltada senhora. Com a chegada da VTR traçamos um plano e seguimos para o local. Como combinado a GU de apoio fez o cerco e a minha GU invadiu a residência (sob protestos e perguntas, tais como: o que é isso? o que está acontecendo? Vocês não têm o direito de fazer isso? E etc. vasculhamos todos os pontos da casa e do quintal e não encontramos nada. Fiquei perplexo, pois no local só havia o casal morador da casa. Logo pensei, estamos fritos. E pra minha surpresa a senhora delatora sumiu sem deixar vestígios. Aí, usei uma estória de cobertura (o que salvou nossa GU), onde expus que eu havia recebido uma denuncia que naquela casa estava acontecendo um assalto e que as pessoas da casa estavam como reféns sob a mira de armas e que eu estava agindo no estrito cumprimento do dever_ também, deixei com o casal o número do meu celular caso eles precisassem de ajuda da policia _eu mesmo viria atendê-los.
Veja, por intrigas de vizinhos, quase entrei numa fria. Não havia nada de verdade nas acusações da dissimulada senhora. Mas, é isso ai. Só sabe quem está lá, no dia-a-dia e no face a face.
Ao 3º Sgt PM Nivaldo de Carvalho Júnior e a todos os policiais militares do Brasil a fora tenha sempre uma boa estória de cobertura. Funciona, ok?

Autor: 3º Sgt PM Marivaldo - obra escrita em 28/08/2009

Nota: Esta é uma obra de fatos reais.

Anônimo disse...

patrocinio.
Gostei por demais deste artigo,trata-se filosoficamnete a nossa realidade, separar o joio do trigo realmente não é fácil, ou simplesmente impossível, conforme relata nossas escrituras sagradas..Parabéns ao autor deste artigo...

Anônimo disse...

Fico preocupado quando ouço frases do tipo para prender o bandido "não importo de errar outras vezes".O bandido escolheu esta vida se não for pego hoje, um dia a casa cai.contudo, um erro consciente de um PM,com no caso da história acima,pode custar-lhe a profissão e ele não paga sozinho, leva consigo esposa e filhos.Ademais, dependendo do erro cometido,o bandido ainda leva a melhor,principalmente se constituir um bom advogado.Devos ter prudência.

Ten Alan disse...

Caraca, muito bom esse blog. Não conhecia ainda, mas realmente só tenho que parabenizar. Coloco-me TODA HORA no lugar destes policiais. Muito bom mesmo!

Anônimo disse...

e isso ai amigo que Deus te ilumine,nao sei se essa pagina esta ativa mas se tiver abracos.

Anônimo disse...

Apesar do equívoco dos fatos narrados pelos: 3º Sgt PM Nivaldo e do 3º Sgt PM Marivaldo, o importante é que os militares foram legalistas e não encobriram seus equívocos com a improbidade. Parabéns aos Militares de MG!
Pena não podermos contar com policiais assim, em São Paulo.

Postar um comentário

Comentários - Regras e Avisos:
- Nosso blog tem o maior prazer em publicar seus comentários. Reserva-se, entretanto, no direito de rejeitar textos com linguagem ofensiva ou obscena, com palavras de baixo calão, com acusações sem provas, com preconceitos de qualquer ordem, que promovam a violência ou que estejam em desacordo com a legislação nacional.
- O comentário precisa ter relação com a postagem.
- Comentários anônimos ou com nomes fantasiosos poderão ser deletados.
- Os comentários são de exclusiva responsabilidade dos respectivos autores e não refletem a opinião deste blog.
- Clique aqui e saiba mais sobre a política de comentários.

 
Os pontos de vista aqui publicados são de responsabilidade dos respectivos autores, não representando versões oficiais de quaisquer instituições.
© 2007 Template feito por Templates para Você - Deformado por José Ricardo
▲ Topo