Hipocrisia - Uma reflexão sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Autor: * Marco Antônio Martins

Na atualidade, temos observado as mudanças que ocorrem em nossa sociedade, temos verificado a criação de leis que em sua gênese tem o escopo de proteger as crianças e os adolescentes.

Dizem alguns se tratar de lei pioneira em relação ao protetorado da infância e da juventude, mudança de um paradigma que mantinha as crianças em situação de risco.

Em sua criação, acreditaram que ela manteria a nossa juventude salvaguardada dos vários problemas sociais. Ledo engano. Ela apenas mascara o real objetivo que é o de continuar a deixar nossas crianças em situação de risco. Retira-se a autoridade dos pais, pois há com clareza um conflito de gerações. Esta lei criada para a proteção dos adolescentes provoca nos adultos uma coação – “entendida aqui como um receio de ser punido” - pois a geração dos nossos pais está acostumada a respeitar as leis, foram educados dessa forma.

A atual geração não sabe o que é o respeito. Nossos pais, por respeitarem as leis, aquietam-se na orientação dos filhos, não sabem como lidar com tal situação. Alguns filhos, pelo contrário, já aproveitam o momento e o argumento em tese de sua proteção e vem a praticar os mais diversos tipos de atos.

Não é raro as vezes em que deparamos com situações de pais dizendo aos professores, conselheiros tutelares e também a nós policiais: "Tomem conta desse 'peste', pois eu não dou mais conta."

Perdemos valores, perdemos referência. Diz a atual lei que a criança não pode trabalhar, pois tem que estudar. Contudo, na maioria das vezes, não encontramos estas crianças na escola ou, quando lá estão, têm apenas o objetivo de receber o bolsa família, e não o de usar o direito constitucional subjetivo de estudar.

Nossa lei de vanguarda ainda não permite o trabalho com o argumento de que “crianças” devem é estudar. Bem, se desde a infância não aprenderem o valor moral e formador da personalidade que o trabalho ajuda a moldar, não será depois de moldada sua personalidade que estas crianças vão adquirir o gosto pelo trabalho. Aqui proíbe-se o trabalho infantil. Está correto, mas, se conforme dito, não pudermos mostrar que o trabalho honesto ajuda a moldar o nosso caráter, não será depois de velho e dentro de um presídio que este indivíduo com sua personalidade formada irá rever sua conduta e seus conceitos para produzir em prol do bem comum.

* Marco Antônio Martins, 1º Sgt PM - Bacharel em Direito e Instrutor do PROERD.



Gostou desta postagem? Então cadastre-se AQUI para receber as atualizações do Universo Policial no seu e-mail ou no seu agregador de Feed/RSS.

7 comentário(s):

Anônimo disse...

Concordo com as palavras do Sargento e acrescento o que diz na Bíblia, que devemos ensinar o caminho correto às crianças e quando elas estiverem jovens vão se lembrar desses ensinamentos e com certeza tomarão decisões acertadas em suas vidas, pautadas na palavra de Deus, com retidão, honestidade, etc.
O que temos visto são leis perversas, muito bem intencionadas em seus conteúdos, mas, que trazem conseguências muito danosas à sociedade atravez do resultado prático da aplicação delas.
O que sestá acontecendo hoje com as nossas crianças e jovens é o resultado das escolhas que a sociedade fez no passado, já é tempo de rever esses velhos conceitos e buscarmos uma maneira diferente de lhe darmos com nossos jovens, para que possamos ter um futuro melhor para o Brasil, porque, dizem que o futuro desse País está neles, portanto, devemos trata-los com seridade e rigor, para que possam ser bons cidadãos compromissados com eles, suas famílias e o próximo.
Ainda é possível mudar essa situação se houver real interesse da sociedade, mudando as leis para que deem mais autoridade aos pais e as instituições democraticas, entre elas a Polícia. Mas certamente os resultados virão em médio e longo prazos.
Sd Gomes.

Jota disse...

Discordo de algumas proposições:

Uma, de que o Estado, ou os seus esclarecidos representantes, não cumpriram com a função elementar de trabalhar com a consciência de pais e filhos de que, sim, as crianças e os adolescentes têm direitos; mas não, não são só direitos. A responsabilidade, penso eu, é do Estado como elemento burocrático, que não soube nos educar, filhos da DITADURA MILITAR, acerca da democracia, republicanismo, cidadania, enfim, o Direito e a liberdade, no sentido melhor que existe no liberalismo, com todas as limitações que este pensamento tem.

Outra: Há falta de políticas públicas para encaminhar crianças e juventudes para contraturnos e/ou para se contemplar a proposta pedagógica de países cujo sistema de ensino seja integral e não apenas meio expeidente.

Ainda: se trabalhar desde a infância fosse a solução, permaneceríamos com um quadro social à la Revolução Industrial, com crianças, mulheres, gestantes e afins sendo explorando por 12, 14, 16 horas. E o quanto o Brasil deve o seu analfabetismo à essa ideologia do trabalho?

E última: o trabalho não é, necessariamente, sublime: afinal, se esquecem de o quanto o mesmo pode ser desumanizador, que o digam família de bóias-frias,mineradores e etc.

Em tempo: se a burguesia, a classe média e estratos socais específicos podem deixar os filhos só estudando e ainda assim conseguem as melhores posições sociais, porque os filhos dos trabalhadores e dos desempregados ou mesmo os órfãos seriam obrigados a trabalhar?

Ideologias à parte.

Anônimo disse...

Anônimo,

Penso que para o Estado é mais fácil utilizar outros meios do que investir na base: saúde, educação, distribuição de renda, segurança, cultura e entre outras coisas.
Muitas medidas protetivas para quem não tem cultura apropriada, com certeza uma atenção maior nesta base poderá ser a solução adequada ao problema que vivenciamos.

Anônimo disse...

Condordo com os dizeres, temos visto uma infancia totalmente voltada para a bandidagem, onde menores gozam de direitos sem saber que existem deveres, onde os pais encontram-se coagidos pelas ações dos filhos (menores), por "força de lei" que muitas vezes é injusta com aquele pai que busca o melhor para o seu filho, e'claro que sempre existe a regra a exeção, mas de modo geral o menor tornou-se intocavel, afrontando as pessoas ao seu redor, e sempre utilizando da mesma descupa "sou menor o que você ira fazer?", dessa forma nossos jovens vem morrendo cada vez mais cedo no mundo do crime onde tudo posso e tudo tenho, e quando percebe que não é bem assim ou é tarde ou tenta voltar para a familia.

Anônimo disse...

vcs se focaram só nos vagabundos, sem generalizar é possível ver que não, a juventude não está perdida, uma parte dela está, outra parte é meio vagabunda, sim, mas acaba sem ser um problema social, tomando vergonha na cara até o terceiro ano, ou na faculdade mesmo

Anônimo disse...

rcf.....gsby nao gostei do texto

Anônimo disse...

O trabalho dignifica o ser humano em sua fase de desenvolvimento psicológico moral e ético que é de aprender o real valor da coisas que os mantém em sua remuneração justa. Muito diferente e paradoxal de exploração ao trabalho seja ele infantil ou adulto.

Postar um comentário

Comentários - Regras e Avisos:
- Nosso blog tem o maior prazer em publicar seus comentários. Reserva-se, entretanto, no direito de rejeitar textos com linguagem ofensiva ou obscena, com palavras de baixo calão, com acusações sem provas, com preconceitos de qualquer ordem, que promovam a violência ou que estejam em desacordo com a legislação nacional.
- O comentário precisa ter relação com a postagem.
- Comentários anônimos ou com nomes fantasiosos poderão ser deletados.
- Os comentários são de exclusiva responsabilidade dos respectivos autores e não refletem a opinião deste blog.
- Clique aqui e saiba mais sobre a política de comentários.

 
Os pontos de vista aqui publicados são de responsabilidade dos respectivos autores, não representando versões oficiais de quaisquer instituições.
© 2007 Template feito por Templates para Você - Deformado por José Ricardo
▲ Topo