Uma polícia efetivamente cidadã

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Autor: *Archimedes Marques

Parece ser tradição arraigada do povo brasileiro em generalizar que a polícia é ineficiente, corrupta e corruptível, que todo policial é ignorante, arbitrário e irresponsável, quando, na verdade, de uma maneira geral, tais entendimentos não passam de pensamentos ilógicos e insensatos, pois a polícia também evoluiu com o tempo, não estagnou como muitos continuam em teimar com tais concepções retrógradas.

As ações desastradas e violentas ocorridas no passado protagonizadas pela maioria dos componentes das instituições policiais trouxeram consequências negativas e depreciativas para todos os nossos agentes atuais que lutam por dias melhores.

A questão da corrupção e da violência policial de outrora, principalmente quando da ditadura militar, que ultrapassaram todos os limites da decência e dos direitos do cidadão praticadas por grande parte dos seus componentes ainda hoje respingam na polícia atual feito um forte ácido sempre a corroer as boas e novas intenções dos nossos valorosos profissionais.


Mesmo agora, depois de muito tempo, vencida a ditadura e instalado o Estado Democrático de Direito através da Constituição cidadã e construída pela vontade popular a polícia cidadã, restaram as mazelas desta triste impressão que infelizmente permanece incutida em grande parte da nossa sociedade.

As manchas negras das ações corruptas e desumanas praticadas pelos nossos antecessores sujaram o conceito da polícia brasileira. A estrada trilhada pelos nossos organismos visando extirpar essa infeliz fase dos anais policiais é árdua e espinhosa, mas passível de ser ultrapassada e vencida pela presente polícia cidadã, desde que haja a conscientização do povo de que os tempos são outros e quando tais fatos negativos se repetem logo os responsáveis são punidos na forma da Lei.

A sociedade ainda teme a polícia ao invés de respeitá-la como aliada. A sociedade repudia a polícia e dela quer distância. A sociedade não confia na sua polícia e pouco faz para ajudá-la no combate ao crime e, para piorar, ainda critica todos os seus atos.

A polícia cidadã é a transformação pela qual passou a polícia de outrora por exigência da Constituição cidadã e pelo desejo do cidadão. Essa polícia estabelece um sincronismo entre o seu labor direcionado verdadeiramente a serviço da comunidade, ou seja, uma polícia em defesa do cidadão, e não ao combate do cidadão.

Hoje a atuação policial se baliza nos princípios norteados pelos Direitos Humanos, os quais constam expressamente ou intrinsecamente na nossa normatização, ou seja, os Direitos Humanos refletindo na conduta policial, embora tais direitos para os policiais quase sempre não são aplicados e confundidos como se os mesmos não fossem também cidadãos.

É preciso que se repensem tais conceitos irracionais para o próprio bem-estar da coletividade. Urge, portanto, de mudanças nessas concepções errôneas para que haja uma maior união e interatividade entre o povo e a sua polícia. Para que haja confiança do cidadão nas ações da sua polícia. Para que a sociedade tenha a polícia como sua amiga, como sua aliada, como sua parceira, como sua cúmplice no combate ao crime.

A polícia cidadã é a guardiã da Lei e digna protetora da sociedade e da cidadania. No seu cotidiano, o policial investiga, protege o bem, combate o mal, gerencia crises, aconselha, dirime conflitos, evita o crime, faz a paz e regula as relações sociais. É o policial, portanto, um grande amigo do cidadão e no seu cotidiano resguarda os seus direitos contra os seus transgressores, ou seja, protege os Direitos Humanos dos humanos direitos em detrimento dos seus reais direitos que de regra são pouco respeitados até mesmo pela sua própria instituição.

Conclui-se assim que o policial é incompreendido, massacrado, humilhado, injuriado, desrespeitado, atacado e mesmo assim permanece de pé, firme, forte e trabalhando sempre em busca da tão sonhada paz social.

* Archimedes Marques é Delegado de Polícia no Estado de Sergipe, pós-graduado em Gestão Estratégica de Segurança Pública pela UFS
archimedesmarques@infonet.com.br



Gostou desta postagem? Então cadastre-se AQUI para receber as atualizações do Universo Policial no seu e-mail ou no seu agregador de Feed/RSS.

11 comentário(s):

Anônimo disse...

gostei do texto;muito bacana....

carlos guerreiro disse...

carissimo colega,o artigo é muito bom,mas e preciso entender que so existira uma policia cidada quando o principios da vaidade serem quebarados,uma vez que se fala tanto em interaçao e integraçao,mas na verdade os esforços tem sido minisculos pelas grandes dificuldades...Assim depois de srem quebrados com certeza a segurança publica sera o que todos sonham.........abraços

nem canivete disse...

Bom dia senhores leitores, sou militar de Minas Gerais. Gostei muito do texto acima. tenho me enpenhado para escrever melhor.Mas hoje vou faze-lo sem observar muito as normas gramaticais. Sempre tive vontade de fazer parte das fileiras da PM. servir o cidadão é o meu objetivo mas às vezes o proprio sistena nos impede, por falta de recursos, efetivo, etc...Relato isso porque nosso dever é proteger a sociedade e nós?, quem nos protege? Somente Deus e as orações dos nossos familiares.Comprei uma arma mas como é de comhecimento só depois de seis meses e olha lá, então Solicitei armamento fixo uma vez que me desloco fardado para o serviço, passando inclusive em area de alto risco,sabem o que eu ouvi? o armamento que temos tem que ficar reservado. Reservado? E eu andando fardado podendo me deparar a qualquer momento com uma situação complicada, como vou fazer para ajudar o cidadão, para me protejer? Correr, esconder? São questões como essas que fazem meu sonho de ser PM ir por agua abaixo. O militar não tem consideração nenhuma na instituiçao, principalmente os que não são graduados.O que aquelas armas velhas vão ficar fazendo parado na SAT? poderiam arma o policial e caso precisassem da arma (para emprego no BTL metropole por ex) que fizessem uma chamada e recolhessem as armas, agora deixa o militar correr risco de vida para manter um certo numero de armas no estoque.Quem sabe depois que morrer mais um militar por causa dessa "burrocracia" o sistema não muda.Eu tambem sou cidadão mereço proteção da Policia na qual faço parte.Me desculpem se a postagem não tem muito a ver com o texto e a falta de nexo e coesão, foi mais um desabafo.

Anônimo disse...

Primeiramente, ótima postagem.
Eu creio que a população só irá respeitar o Estado quando este investir mais na educação. Não em valor pecuniário, mas em qualidade. Qualificar os professores, incluir na grade de matérias a Constituição Federal, Código Penal, Civil e outros. Pois só assim a criança, o futuro da Nação, aprenderá seus direitos e deveres.
Futuramente, não sei quando, espero uma socidade mais igualitária.
E quanto a nós, policiais, ainda temos nossos direitos desrespeitados. Sempre falo que o militarismo é uma alienação, um método muito ultrapassado. Mas, Graças a Deus, está mudando. Nem por isso deixamos de prestar um bom serviço a sociedade.
Abraços as todas forças policiais do Brasil.

Azambuja. disse...

Esse texto do delegado é tudo o que eu sempre digo ao público quando me procuram para dialogar sobre polícia militar. O policial de hoje deve estar apto a dialogar com a população. Infelizmente os policiais de hoje pagam pelo que outros fizeram no passado. Isso realmente faz com que a população tenha imagem negativa da polícia militar em geral. Deve-se levar em consideração que o policial de hoje é o que tem ou terá em breve o curso superior. Eu por exemplo já possuo o curso superior e muito em breve obterei especialização ou mestrado.Não confundam isso com desmerecimento aos praças mais antigos.

Anônimo disse...

nós ainda vamos chegar lá, os estados Unidos da America, também passou por isso, nas décadas de 40 e 50, com o poderoso chefão Alcapone; só que lá tiveram coragem para enfrentar o desafio , enquanto aqui, os politicos fazem de tudo para tudo permanecer igualzinho do jeito que esta , quanto pior melhor!!! aqui não conseguimos nem resolver os problemas dos presidios brasileiros, lá no EUA, eles tinham Alcapone, aqui nós temos comando Vermelho e PCC, é temos muito tempo , ainda chegamos lá....................

Teresa Cristina flordecaju disse...

Sei que muitos policiais continuam estudando e que, acima de tudo, respeitam o ser humano! Um belo Ano e que melhores dias nos venham, enquanto filhos do Criador!

Anônimo disse...

Caro amigo archimedes marques, gostaria de parabenizá-lo pela sua brilhante exposição neste espaço. Só Gostaria de dizer, que referente aos " erros " dos policiais dos passado, devemos nos lembrar que naquela época aquele tipo de atitude era realmente necessária, obviamente, salvo,aquelas condutas totalmente desumanas. Porque a realidade do nosso país naquela época era outra. O treinamento do policial daquela época, era focado para a proteção do Estado, e não do cidadão. Em que pese algumas arbitrariedades aquilo que,infelismente,era o certo. Jamais devemos condenar os nossos companheiros do passado, por que eles estavam vivendo outra realidade, e eles também sofriam com a Ditadura. Engraçado ! na época de transição do regime da ditadura para a democracia, foram criadas algumas leis para que as entidades democráticas fossem protegidas de pessoas mal intencionadas, já passado muitos anos, os pseudo defensores da democracia abominam a Ditadura (com razão), mas não acabam com as leis, que no estado democrático de direito, São inadmissíveis,como por exemplo a tão famigerada " IMUNIDADE PARLAMENTAR" se a constituição reza que somos" TODOS IGUAIS PERANTE A LEI "
onde está a igualdade ??? na Ditadura até que se justificava esta imunidade, mas nos dias de hoje isso é uma afronta à nossa inteligência. Obrigado

Batista disse...

Carregamos ao longo da vida profissional tudo de ruím que o exército praticou na época da Ditadura Militar, como pela Constituição nós somos força auxiliar do exército a população tem essa imagem negativa das PM. Não quero dizer que não existe arbitrariedade, mas esta imagem não foi construída apenas nos dias de hoje, o exército fica escondido nos quartéis e nós enfretamos a fúria urbana.

SDPM/ES

gremio recreativ disse...

Jose de Almeida Borges.
Policial Militar de São Paulo.
Quero parabenizar o Dr. Archimedes pelo brilhante artigo e a todos que postaram seus pontos de vista. Gostaria de acrescentar o seguinte;
Erros do passado não justificam erros do presente. “O s fins que justificaram os meios” no passado, foram as necessidades da época, cujo Dr. Fleury (Delegado de Policia) foi de fundamental importância. A questão da exorbitância seja ela policial ou de qualquer natureza, ê uma capacidade inerente ao Ser Humano, que sempre esteve e estará presente, na ditadura, na democracia ou em qualquer regime, perfeitamente administrável, conforme as necessidades. Sou policial do passado e do presente, ajudando a construir a policia do futuro. Vamos à luta! O objetivo ê a PEC 300.
Um forte abraço a todos.

Anônimo disse...

A POLICIA CIDADÃ REALMENTE É UM MARCO DA TRANSFORMAÇÃO PADIGMÁTICA QUE PASSA AS POLICIAS DO BRASIL,MAS A GRANDE PERGUNTA QUE DEVEMOS FAZER É: SE A CIDADANIA QUE O PM TEM DE PROMOVER NAS RUAS EXISTE DENTRO DOS QUARTÉIS OU TRATA-SE DE UMA UTOPIA OU MAIS UMA FORMA DE ALIÊNAÇÃO SOCIAL PELA QUAL OS PMs SÃO VITIMAS.

Postar um comentário

Comentários - Regras e Avisos:
- Nosso blog tem o maior prazer em publicar seus comentários. Reserva-se, entretanto, no direito de rejeitar textos com linguagem ofensiva ou obscena, com palavras de baixo calão, com acusações sem provas, com preconceitos de qualquer ordem, que promovam a violência ou que estejam em desacordo com a legislação nacional.
- O comentário precisa ter relação com a postagem.
- Comentários anônimos ou com nomes fantasiosos poderão ser deletados.
- Os comentários são de exclusiva responsabilidade dos respectivos autores e não refletem a opinião deste blog.
- Clique aqui e saiba mais sobre a política de comentários.

 
Os pontos de vista aqui publicados são de responsabilidade dos respectivos autores, não representando versões oficiais de quaisquer instituições.
© 2007 Template feito por Templates para Você - Deformado por José Ricardo
▲ Topo