Como matar um herói?

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Alguns podem falar que heróis têm vida eterna, outros que não sentem dor, que são invencíveis ou semideuses, mas pasmem! Isso tudo é utopia e não passa de mera ilusão.

Nos dias de hoje ser herói é humanamente impossível, no mínimo cômico, afinal, a sociedade quer alguém que se dedique com afinco as causas nobres do cotidiano? Ou reformulando a pergunta, as pessoas merecem alguém que lute com todas as forças pelo bem coletivo? Já não sei mais, há alguns anos atrás acreditava fielmente que sim, vendo as atrocidades de um povo doentio, pensei que poderia brincar de super-homem, dando à cara a tapa e buscando resolver os problemas do mundo, não importando se para isso criasse para mim um rótulo de intransigente ou ríspido demais.

Não me arrependo de nada, minha luta foi por uma causa justa, armas foram retiradas das mãos de marginais, condutores embriagados foram colocados aos montes no local onde não podem matar inocentes, madrugadas de sono foram perdidas para vigiar o patrimônio de alguém que trabalhou para construir uma vida, muito suor foi derramado as margens de estradas em abordagens a traficantes que insistem em destruir vidas humanas, saliva foi gasta tentando convencer vizinhos a chegar a um denominador comum e viver em comunhão fraterna, e quantas mulheres foram salvas das mãos de companheiros enfurecidos, sem contar as inúmeras vezes em que arrisquei a minha própria vida em beneficio de outrem, algo que se faz não por dinheiro ou status, mas sim pela vocação de alguém que acreditava no poder do bem, alguém que não via a hora de colocar o uniforme de super herói e combater o crim e com orgulho de dizer: sou policial!

Mas os dias vão passando, e você cada vez mais começa a perceber que por mais que faça o impossível, não é o suficiente, um sentimento de impotência inevitavelmente brota do peito e a vida começa a ensinar da maneira mais difícil que para um policial ser herói, ele precisa lutar contra forças ocultas de tamanha magnitude que jamais imaginaria quando iniciava na academia policial, poderes estes emanados das fontes mais variadas, seja interna ou externa, política ou burocrática, sem fronteiras quando o assunto é poder!

Caros colegas é triste, mas me sinto na obrigação de externar meus sentimentos, afinal, o que fiz até hoje na minha profissão foi tentando acertar, conheci pessoas incríveis, mas também tive o dissabor de conviver com hipócritas que vêem o mundo como um terreno de oportunidades, onde o esperto se sobressai ao cidadão honesto, e o que mais me frustrou foi perceber que nosso meio esta contaminado com uma praga muito mais devastadora do que qualquer doença terminal, chamada política.

Isso me matou! Não há possibilidade de sobreviver, quando se perde a esperança, perde-se tudo, podem me chamar de covarde, até de mercenário, por receber um ordenado no final do mês sem ao menos merecer um décimo daquilo, por que vou embora, aqui não é meu lugar, e não vai ser o lugar de ninguém que queira trabalhar honestamente a serviço das pessoas de bem.

Sabe de uma coisa, cansei de ouvir piadinhas por atos corruptivos de colegas, de ser odiado por fazer o certo, de ir às minhas folgas no Tribunal dar depoimentos intermináveis, de cumprir cargas horárias abusivas só porque falam que sou Militar e tenho que me submeter ao Regulamento, de ser punido por fazer o certo, de ser visto como uma ameaça a tropa por contestar as barbaridades cometidas, de deixar de lado a coisa mais importante que é a família para lutar pela causa dos outros. Não quero exigir aqui prêmios, medalhas, recompensas financeiras, ou reconhecimento midiático, apenas gostaria de aplicar a lei a todos sem distinção de classe social, pois afinal, o que diz nossa Constituição mesmo?

Deus, ajude-nos!

Heróis estão morrendo a cada instante...

* Recebido via e-mail de um policial que não quis se identificar.



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14 comentário(s):

Anônimo disse...

Grande texto, externa o que 80%(se não for mais) da tropa pensa... Parabéns,

Claudio Catto disse...

É uma pena, mas realmente é assim. Infelizmente, além dos inimigos marginais, pode-se contar também com o comando da própria corporação, com o governo (este não me surpreende), os Direitos Humanos, a Mídia e grande parcela da população, que por influência da mídia acaba odiando a polícia. Só DEUS e o policial sabe o que é sentar em uma viatura, levando essa carga pesada nas costas. SÓ DEUS NA VIDA DESSES HOMENS E MULHERES QUE DEDICAM SUAS VIDAS SEM AO MENOS SEREM RECONHECIDOS.

Anônimo disse...

Lamentável é quando ao lermos o desabafo desse colega, podemos fazer de suas palavras, sua triste experiência e decepções nossas palavras, triste experiência e decepções. Depois ouço que é para ir lá fora e difundir a “paz social”. Aí fico pensando, como posso levar lá para fora algo que não recebo na Caserna e fico ouvindo na minha cabeça aquela música do Jimmy Cliff (Peace), onde ele canta:
How is there going to be peace
When there is no justice?
Como vai haver paz
Quando não há justiça?

SGT CARVALHO disse...

Excelente Texto.

Será mesmo que o policial não quis se identificar? Acho é que ele até queria, mas acredita que não pode.

PIMENTEL disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Anônimo disse...

JONATHAS disse

Fico muito alegre em ler um texto desses. Em suas linhas o autor passa a ideia de ser um policial íntegro e honesto, cheio de Princípios. É sério, nós civis admiramos agentes deste nível.

Infelizmente, aqui no Rio de Janeiro, têm muitos PMs com desvios de conduta.

Que Deus abençoe muito, muito o autor do texto, bem como todos os PMs de verdade desse país.

Senhor PIMENTEL

Não entendi o porquê de passar seus dados particulares?! O autor de texto e o senhor são as mesmas pessoas? Isso foi uma resposta ao SGT CARVALHO?

Abraços.

Anônimo disse...

Gostei de ler o texto do caro colega, cheio de sentimentos e pesar. No entanto, nobre PM, ter estes pensamentos no plano das idéias não é o suficiente para mudar uma realidade, que você e eu e milhares de policiais sabemos. Nesta historia não existe inocentes. Nós policiais temos uma parcela de culpa, a sociedade hipócrita também, bem como o governo ridículo, que por omissão, deixou as coisas cherarem a esse nível,pois foram anos e anos a finco, num total menospreso ao policial militar e a instituição que o representa. Agora, não adianta lamentar, chorar e encher as reds sociais com nossas indignações. É preciso atitude, trazer nossas descontentamentos para o plano da realidade, custe o que custar. Todas os direitos na àrea trabalhista que surgiram na humanidade foram conquistados com muita luta. A pergunta é....será que nós policiais estamos dispostos a pagar o preço? Respondo que não, se asim não fosse, a nossa realidade seria outra.Infelizmente, a instituição é composta de homemens que agem, em sua maioria,com o "coração", o querer fazer, a todo preço. SE quisermos ser valorizados teremos de agir com a razão, pois é com discurso apaixonado, do querer fazer, com pretesto de ter vocação para atividade policial,que muitos policias perdem suas vidas ,quando não, são presos pelo sistema viciado e manipulado pela política que se infiltrou no seio da instituição.Todos sabemos, que o ESTADO é omisso, quando não treina adequadamento o policial, quando não o equipa , quando não o paga de forma justa, desta forma, forçando o policial a fazer o famoso"BICO", devido os baixos salários,assim o renega às periferias dos grandes centros urbanos, convivendo diretamente com criminosos, e quando o policial erra, seja por falta de perícia, como foi o caso do policial que atirou numa meninnha de 08 anos, no Estado do Espirito Santo. Assim, o Estado que cometeu negligência de todo ordem para com o policial,criou todo o ambiente necessário para o policial errar,e, quando o polical erra, o próprio Estado, o processa, na figura do promotor e o condena na pelo do juíz. Portanto, o policial apaixonado tem que entender, que as coisas só irão mudar quande ele cumprir apenas a lei e nada mais. Se assim o fizer, a sociedade irá sentir, pois, sem ser hipócrita, e fazendo uma analogia: A sociedade e toda suas normas legais legal encontram-se dentro de um quadro, no entanto, o marginal está fora do quadro, aí, o que faz o PM apaixonado, sai fora do quadro para pegar o marginal, sendo que ao sair do quadro passou para ilegalidade. Por falta de política de Estado para segurança pública, as instituições de segurança estão ultrapassadas, sucateadas, fazendo polícia como se fazia no século passado. Greves das polícias eclodiram em vários Estados e nada foi feito. Acorda policial, na sua profissão jamais deverá a agir com paixão, mas sim com a razão.

PIMENTEL disse...

MEU CARO AMIGO, REPASSEI MEUS DADOS ; APENAS PARA VC VERIFICAR OU VIR A SABER NA MINHA CIDADE E REGIÃO, SE ESTE QUE MANDOU O EMAIL SERIA MINHA PESSOA. NÃO SOU O ANÔNIMO QUE ESCREVEU; QUERIA SÊ-LO E ASSINAR MEU NOME, POIS MEU PRINCIPAL LEMA É: "EU ARREPENDO DE QUASE TUDO
QUE EU DIGO E ESCREVO; MAS NUNCA DO MEU SILÊNCIO".
SÓ NÃO SEGUI A CARREIRA DE POLICIAL DEVIDO MINHA INESQUECÍVEL MAMÃE, NÃO QUERER. MAS TENHO PRIMOS , TIOS(APOSENTADOS) NA PM. ESPERO QUE ENTENDESTE>>>

PIMENTEL disse...

ACESSOU MEU BLOG??? blogdoreinaldopimentel.blogspot.com
### DESCONFIU QUE NÃO, SENÃO TERIA ME CONHECIDO MELHOR, E NÃO FAZER JUIZO ERRADO DE QUEM TEM 65 ANOS, BEM VIVIDOS E MUITOS POR VIVER COM A GRAÇA DE DEUS QUE ME PROTEJE E PEDIREI EM MINHAS ORAÇÕES PARA PROTEGÊ-LO. AMO O QUE FAÇO E AMO MINHA FAMILIA. OBRIGADO...

PIMENTEL disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
PIMENTEL disse...

ESTAVA ESQUECENDO ; SE QUIZEREZ CONHECER MEU PAI E MINHA FAMILIA ACESSE MEU "FACE": REINALDO PIMENTEL DE CARVALHO.

Anônimo disse...

deveria haver uma prisão em alto mar,no litoral Brasileiro, sem chance de fuga, como nos tempos antigos, e mandar para lá toda essa corja de farrapos humanos que atentam contra a vida de nossos policiais,
e lá deixa-los viver apenas do que há lá, como verdadeiros animais que são.

WIDEVANDES SOUSA ARAUJO disse...

Meus irmãos e irmãs, a PEC-300/2008, faz parte de um sonho, e é uma realidade possível e concreta, porém isso só se tornará material quando nós, militares, soubermos e usar as forças que temos, que diga-se de passagem, nenhuma outra categoria de servidores públicos a tem.
Acompanho a PEC-300/2008, desde que ela foi apresentada na Câmara e, até, fui em Brasília por 04 vezes para ver de perto e somar forças no movimento em prol da sua aprovação.

Indico que acessem o site da Câmara Federal e vejam o grande número de requerimentos para que ela fosse colocada em pauta de votação, sem que fossem atendidos; o número é muito grande.

Para que a PEC-300 seja votada não depende mais de requerimentos de Deputados para que ela seja colocada em pauta de votação, pois se dependesse de requerimentos ela já teria sido votada pelo menos umas 200 vezes; depende da pressão que nós não fazemos.

A PEC-300, com todos os seus resultados para os militares ainda está muito longe de ser definida, pois, depois de aprovados os Destaque feito em 2010, ainda tem que ser votada em 2º Turno na Câmara e, como houve alterações feitas pela Câmara, mudando o que o Senado já havia aprovado, ela vai ter que voltar para o Senado votar em 2 turnos.

Depois de provada e sancionada, ela ainda vai depender de uma Lei Complementar para seus bons efeitos possam ser auferidos pelos Militares.

Para que ela seja aprovada na Câmara com os seus destaques, bem como no Senado e depois regulamentada por Lei Complementar, não basta que uma meia dúzia, literalmente, de Militares saim do Maranhão ou de qualquer outros Estado e se juntem a outra meia dúzia de Militares de outros Estados em Brasília, que não serão tratados nem como um mosquito que ronda o "C" de um cavalo.

Não temos gás para sairmos daqui do Maranhão, viajando por mais de 24 horas, só na ida, para quando chegarmos acontecer alguma manobras ou simplesmente serem ignorados os requerimentos para que seja colada em pauta, e ficarmos "boiando" com cara de bestas.

O "LOBBY" feito juntos aos Deputados também não adianta, pois se assim fosse ela já teria sido votada, já que um grande número de Deputados apresentaram requerimentos para que ela fosse votada.

Agora, mais cedo ou tarde, ela vai ser aprovada e regulamentada e, se os Militares não tomarem as devidas medidas, o que será aprovado será para piorar nossa situação.

Para que ela seja votada, tempos que fazer dela um objeto de discussão na sociedade, como muitos outros assuntos são colocados (a questão do homossexualismo, a exemplo).

Nós somos muitos e temos muita importância e, podemos fazer e acontecer o que for necessário; só depende de cada um.

A pressão tem que ser feitos nas base de cada Estado com operação padrão, manifestações públicas, com muito uso da internet, nas redes sociais etc.

Quando ainda fazia parte da Diretoria da ARCSPMIA, gastei um bom tempo para descobrir a maioria dos contatos de Representantes de Associações de militares e, de posse dos contatos, contactei com quase todos os representantes na tentativa de promover uma reunião com todos eles para que elaborassemos um documento "intimando" a presidência da Câmara para colocar a PEC-300, apensa à PEC-446, em votação, já que os requerimentos dos Deputados estão sendo ignorados e nossas manifestações em Brasília não surtem grandes efeitos e são muitos dispendiosos e cansativos.
Nessa intimação deveria conter uma data definida para que os militares fizessem uma manifestação nacional simultaneamente, mas, percebi grande falta de interesse dos representantes e acabei sendo desanimado também, pois as pessoas que deveria motivar a classe eram os próprios desmotivados.
Mas, mesmo assim, continuo defendendo essa ideia e continuo fazendo comentários nesse sentido em todos os blogs de militares, inclusive estou colocando este comentário em todos os blogs que tenho conhecimento, assim, como sempre me manifesto em qualquer correlata.
Seria bom se todos os militares fizessem o mesmo.

Anônimo disse...

Caro anônimo com certeza vc não sabe o que é sentar no banco de uma viatura e passar a noite toda atendendo ocorrências, deve ser um aristocrata hipócrita que tem sua visão baseada na teoria...na prática a teoria é bem diferente...

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